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Análise: Leopoldo López sai da prisão fortalecido

O líder opositor venezuelano Leopoldo López deixou anteontem a prisão militar de Ramo Verde após três anos e cinco meses em regime de isolamento. O principal dirigente do partido Vontade Popular (VP), um dos líderes mais importantes da oposição, foi detido em 2014 sob a acusação de ter instigado manifestações em que morreram 43 pessoas.

Depois de 40 meses de prisão, ele não volta com desejo de vingança e parece inclinado a ouvir seus adversários. Nascido em uma família rica, López, de 46 anos, é um advogado e economista com estudos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Tudo indica que conseguiu superar com êxito a pecha de jovem rico para conquistar as maiorias.

E as conversas com os enviados do governo, Jorge e Delcy Rodríguez, são agora a chave para entender com que ânimo ele sai da prisão. No reduzido grupo de pessoas a par das visitas dos representantes de Maduro a Ramo Verde é comum evocar um episódio que resume o espírito desses encontros. Certa vez Rodríguez comentou, de brincadeira, que não gostaria de ocupar a cela de López em Ramo Verde. O líder do VP respondeu que quando a oposição chegar ao governo não haverá perseguições.

Ao passar essa temporada na cadeia, López cumpriu um requisito não oficial para ser presidente da Venezuela. Aconteceu com todos os civis que chegaram ao poder no país entre 1958 e 2013. Na cadeia ele perdeu contato até mesmo com as lideranças de seu partido, graças às duras condições de reclusão a que foi submetido. Somente Lilian Tintori, sua mulher, com quem está casado desde 2007, seus dois filhos, Manuela e Leopoldo Santiago, e seus familiares mais próximos, além do advogado Gustavo Velásquez, podiam visitá-lo.

Nicolás Maduro, de qualquer modo, tirou das costas o fardo mais pesado que carregava. A medida de conceder prisão domiciliar supostamente acaba com a responsabilidade de cuidar para que nada aconteça ao único líder temido pelo chavismo. Em 3 de maio, quando correram rumores de que ele havia morrido, o governo teve que divulgar uma prova de vida. Semanas depois veio à tona o vídeo em que o líder opositor convocava os militares a rebelarem-se contra o presidente. “Agora sua vida é responsabilidade exclusiva de sua mulher e de seus aliados”, afirmou o ministro da Comunicação e Informação, Ernesto Villegas.

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