Por Joshua McElwee
CIDADE DO VATICANO, 24 Mar (Reuters) - O Vaticano disse nesta terça-feira que os católicos podem receber transplantes de tecidos animais para tratar condições médicas, em meio ao contínuo avanço dos procedimentos envolvendo órgãos de porcos ou vacas geneticamente modificados.
Em um documento de 88 páginas que fornece diretrizes éticas para esses transplantes, o Vaticano reafirmou um ensinamento anterior e disse que a Igreja não tem objeção a esses tratamentos, desde que sigam as melhores práticas médicas e não tratem os animais com crueldade.
"A teologia católica não tem preclusões, em uma base religiosa ou ritual, no uso de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos", disse o documento.
O texto abordou o xenotransplante, ou o transplante de órgãos ou tecidos de uma espécie para outra. O Vaticano autorizou pela primeira vez esses procedimentos em 2001, quando eles estavam em estágios muito iniciais de desenvolvimento.
Os transplantes de órgãos de animais para uso humano ainda são raros. O primeiro transplante de rim de porco para humano foi realizado nos Estados Unidos em 2024.
O documento do Vaticano, que foi redigido com a ajuda de médicos da Itália, dos Estados Unidos e da Holanda, conclamou os cientistas a realizarem transplantes de órgãos de animais de uma maneira que seja "intencional, proporcional e sustentável".
O documento também pede que os médicos divulguem os riscos dos transplantes de órgãos de animais, incluindo a probabilidade de rejeição pelo sistema imunológico do paciente e a possibilidade de causar infecção por microrganismos.
(Reportagem de Joshua McElwee)


