A crise energética em Cuba atingiu um nível tão crítico que a "engenharia da necessidade" resgatou tecnologias da Segunda Guerra Mundial para manter o país em movimento. O símbolo máximo dessa resistência é um carro adaptado para funcionar à base de gaseificação de carvão , uma solução improvisada que circula pelas ruas de Havana diante do colapso no abastecimento de petróleo.
Sem gasolina e com o transporte público paralisado, a adaptação consiste em um compartimento metálico na traseira do veículo onde o carvão é queimado para gerar gás, que alimenta o motor. Essa alternativa rudimentar surge em um cenário onde o envio de petróleo da Venezuela foi interrompido por sanções e crises logísticas, deixando a ilha em um apagão quase permanente.
Impacto na Infraestrutura e Cotidiano
A falta de combustível gerou um efeito dominó que paralisou até os serviços básicos:
Saneamento: Caminhões de lixo estão parados por falta de diesel, causando acúmulo de resíduos nas ruas.
Abastecimento de Água: As estações de bombeamento, dependentes de energia, param de funcionar, deixando bairros inteiros sem água por dias.
Economia: Contratos de trabalho foram congelados e lojas fechadas devido à impossibilidade de operar sem luz ou transporte para os funcionários.
Resiliência sob Pressão
Especialistas apontam que, embora a criatividade cubana seja histórica, o cenário atual é de esgotamento mental e físico. Relatos de moradores descrevem uma rotina de incertezas, onde o preparo de uma refeição simples ou o trajeto para o trabalho exigem manobras extremas, como o uso de bicicletas ou veículos a carvão. A escuridão total, que antes atingia apenas o interior, agora é a regra inclusive nos bairros nobres da capital, consolidando a pior crise das últimas décadas na ilha.


