Por Marcelo Teixeira
NOVA YORK, 9 Mar (Reuters) - O aumento acentuado dos preços do petróleo com a continuação da guerra no Oriente Médio levará os processadores de cana-de-açúcar brasileiros a produzir mais etanol e menos açúcar na nova temporada que começará nas próximas semanas, disseram analistas nesta segunda-feira.
Os futuros do açúcar bruto na bolsa ICE saltaram mais de 3% na segunda-feira, seguindo os ganhos dos futuros do petróleo, já que o mercado prevê um volume menor de açúcar vindo do centro-sul do Brasil, a maior região produtora de açúcar do mundo.
As usinas têm flexibilidade para ajustar suas plantas para produzir mais etanol ou açúcar, dependendo dos preços de mercado para eles. Quando o etanol proporciona melhores retornos, elas usam mais cana para produzir o biocombustível e menos para produzir açúcar. O preço do etanol já é melhor e pode ficar mais alto.
"Combustíveis fósseis mais caros tendem a melhorar o retorno do etanol, levando as usinas a destinar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol", disse Arnaldo Correa, sócio-diretor da Archer Consulting, uma empresa de consultoria do setor açucareiro.
"Em teoria, a situação atual deve reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado e aumentar os preços globais", disse ele.
Segundo os analistas, uma peça do quebra-cabeça ainda não foi movida. A Petrobras, que fornece cerca de 80% da gasolina no Brasil, ainda não aumentou os preços locais, mesmo após o aumento do petróleo.
O grupo de importadores de combustível do Brasil, Abicom, estima que os preços locais da gasolina estão 46% abaixo da paridade de importação atualmente.
"Seria de se esperar que isso fosse suficiente para levar a Petrobras (a aumentar os preços), mas o problema é que Lula quer manter o apoio do eleitorado, embora a eleição seja apenas em outubro", disse o analista independente de açúcar Michael McDougall, referindo-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula tentará a reeleição este ano e talvez queira manter os preços dos combustíveis sob controle.
A consultoria Datagro projetou, antes da guerra no Irã, que as usinas brasileiras reduziriam a quantidade de cana-de-açúcar destinada ao açúcar para 48,5% na nova temporada, contra 50,7% na temporada passada.
(Reportagem de Marcelo Teixeira em Nova York; reportagens adicionais de Oliver Griffin em São Paulo, May Angel em Londres e Marta Nogueira no Rio de Janeiro)

