BEIRUTE, 22 Mai (Reuters) - Seis profissionais de saúde foram mortos em dois ataques israelenses no sul do Líbano em um período de 24 horas, informou o Ministério da Saúde libanês nesta sexta-feira, condenando os ataques e classificando-os como violações do direito internacional.
De acordo com a pasta, um ataque israelense durante a noite de quinta para sexta-feira na cidade de Hanaway, no sul do Líbano, matou quatro paramédicos da Associação Islâmica de Saúde. Na manhã desta sexta-feira, um ataque israelense matou dois médicos da Associação de Escoteiros Al-Rissala em Deir Qanoun En-Nahr.
Sobre o incidente em Hanaway, o Exército israelense alegou que atingiu locais de infraestrutura do Hezbollah onde militantes do grupo estariam presentes. Em Deir Qanoun En-Nahr, disse o Exército, soldados identificaram e atingiram dois militantes do Hezbollah que estavam em motocicletas na área.
O Exército informou ainda que examina as alegações de que "vários indivíduos não envolvidos na área, que não eram os alvos dos ataques, foram feridos". Segundo os militares, foram tomadas medidas para mitigar possíveis danos a civis, em parte ordenando que a população deixasse as duas áreas atacadas.
O Ministério da Saúde do Líbano distribuiu um vídeo que, segundo o órgão, foi gravado em Deir Qanoun En-Nahr, mostrando dois homens com coletes amarelos na beira de uma estrada cuidando de uma pessoa. Quando uma ambulância se aproxima dos dois homens, o vídeo registra um flash e um estrondo alto. Depois, os mesmos homens são vistos deitados no chão.
A Reuters conseguiu confirmar a localização do vídeo como sendo a extremidade oeste de Deir Qanoun En-Nahr, com base nos prédios, nas árvores e no traçado da estrada, que correspondem às imagens de arquivo da área.
O Ministério da Saúde disse que, no total, seis pessoas foram mortas em Deir Qanoun En-Nahr, incluindo os dois médicos libaneses e uma criança síria. A cidade já havia sido atingida por um ataque aéreo -- que matou 14 pessoas -- no início desta semana, o mais mortal desde que um tênue cessar-fogo foi anunciado no mês passado.
Mais de 3.100 pessoas foram mortas no Líbano desde 2 de março, quando o grupo armado libanês Hezbollah disparou contra Israel.
Entre os mortos estão 123 médicos, além de mais de 210 crianças e quase 300 mulheres, de acordo com estatísticas compartilhadas pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira.
A lei humanitária internacional oferece proteção aos socorristas da linha de frente, aos profissionais de saúde e à infraestrutura civil, incluindo centros de saúde.
Diversos hospitais no sul do Líbano foram danificados ou totalmente desativados por ataques israelenses, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na quinta-feira, um ataque israelense perto do Hospital Tebnine, no sul do Líbano, danificou os três andares do prédio, incluindo a sala de emergência, a unidade de terapia intensiva, a ala cirúrgica e as ambulâncias estacionadas do lado de fora, de acordo com o Ministério da Saúde.
(Reportagem de Maya Gebeily e Catherine Cartier em Beirute, Tansy Liu e Eleanor Whalley em Londres; reportagem adicional de Rami Ayyub em Jerusalém)



Aviso