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Artigo: Uma votação que parece não levar a vencedores

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A Catalunha está se preparando para outra eleição surreal. A região, que tem orgulho feroz de suas História e identidade cultural distintas, tem sido governada diretamente por Madri desde o final de outubro, quando o governo espanhol dissolveu o Parlamento local após este declarar a independência unilateralmente.

A aposta separatista capitalizou anos de um crescente sentimento pró-independência na Catalunha. Mas Madri declarou inconstitucional a decisão do governo regional de organizar o referendo. Os separatistas catalães apresentam sua luta como uma busca justa por autodeterminação, ressaltando que a maioria dos eleitores locais quer o direito de votar num referendo. Seus oponentes, incluindo o governo central do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, os vê como renegados que arrastaram a Espanha para uma crise constitucional desnecessária e danosa.

Em um evento em Washington nesta semana, Jaime Malet, presidente da Câmara Americana de Comércio na Espanha, lamentou o dano já feito. Cerca de três mil empresas na Catalunha mudaram sua sede para outros lugares da Espanha devido à incerteza política.

As pesquisas de opinião mostram uma estreita divisão entre forças pró-independência e pró-união na Catalunha, outra demonstração de como a região se tornou polarizada.

O verdadeiro impulso da crise não é a antiga aspiração catalã à liberdade, argumenta Bonnie Field, professora de Estudos Globais na Universidade de Bentley, e sim a turbulência que se seguiu à crise financeira global, que atingiu particularmente a Espanha. A raiva espanhola sobre as medidas de austeridade e a escassez de elites políticas se aproximou das queixas específicas dos nacionalistas catalães. Enquanto isso, Rajoy e seu governo conservador foram criticados pela anulação agressiva de qualquer debate real sobre as aspirações catalãs, que em parte levou a um jogo político de diplomacia arriscada entre Madri e Barcelona.

Rajoy, cujo próprio Partido Popular sofre com um escândalo de corrupção, está tentando virar a página. Mas é provável que seu partido seja extinto nesta eleição local, entregando a maior parte do apoio que tem ao Cidadãos, um partido anticorrupção de centro-direita — que justamente também é anti-independência.

Mas o gênio da independência pode ser difícil de enfiar de novo na garrafa. E assim, diz Josep Colomer, professor adjunto de Política da Universidade de Georgetown, o atual impasse só pode aprofundar a crise, representando “uma dupla derrota do Estado espanhol e do projeto catalão”.

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