Por Raghed Waked e Mahmoud Hassano
BEIRUTE, 2 Abr (Reuters) - O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, disse na quinta-feira que não há fim à vista para uma guerra que já deslocou um milhão de pessoas no último mês.
O Líbano está entrando no segundo mês de conflito entre o grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã, e Israel, que prometeu ocupar áreas do sul do Líbano como parte de uma "zona de segurança" para proteger seus próprios residentes do norte.
"O Líbano se tornou vítima de uma guerra -- uma guerra cujos resultados e data de término ninguém pode prever", disse Salam aos repórteres na quinta-feira, após uma reunião de seu gabinete.
"As posições das autoridades israelenses e as práticas de seu Exército revelam objetivos de longo alcance, incluindo uma expansão significativa da ocupação dos territórios libaneses, conversas perigosas sobre o estabelecimento de zonas-tampão ou cinturões de segurança e o deslocamento de mais de um milhão de libaneses", declarou Salam.
A afirmação de Israel de que seus militares manterão o controle do sul do Líbano alimentou os temores de uma ocupação de longo prazo, depois que a presença israelense de duas décadas terminou em 2000.
Salam disse que seu governo redobrará os esforços diplomáticos e políticos para acabar com a guerra. Até o momento, o presidente libanês Joseph Aoun não respondeu a um pedido de conversações diretas com Israel.
Israel continuou a realizar ataques no Líbano depois que um cessar-fogo de 2024 encerrou sua última guerra com o Hezbollah, mantendo tropas estacionadas em cinco posições no topo de colinas no sul do Líbano.
Israel lançou uma campanha aérea e terrestre em grande escala depois que o Hezbollah disparou contra Israel em 2 de março, em solidariedade ao Irã, após EUA e Israel iniciarem sua guerra contra Teerã.
Salam, sem citar o nome do Hezbollah, condenou os ataques coordenados realizados com a Guarda Revolucionária do Irã.
Mais de 1.300 pessoas foram mortas em ataques israelenses e cerca de um quinto da população do Líbano foi deslocada. Israel emitiu ordens de retirada que abrangem cerca de 15% do território libanês.
(Reportagem de Raghed Waked, Thomas Suen, Mahmoud Hassano e Maya Gebeily em Beirute)


