Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 2 Abr (Reuters) - Após três sessões consecutivas de baixas, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) sobem nesta manhã de quinta-feira no Brasil, com os investidores reagindo negativamente à promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de continuar atacando o Irã nas próximas semanas.
Com o petróleo e o dólar em alta, às 9h57 a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,86%, com elevação de 14 pontos-base ante o ajuste de 13,723% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,97%, com avanço de 11 pontos-base ante 13,858%.
A sessão de quarta-feira havia sido marcada pelo otimismo após Trump ter afirmado durante o dia à Reuters que encerraria a guerra contra o Irã em breve.
À noite, porém, ele contrariou o tom do discurso de mais cedo e afirmou que os EUA realizarão ataques agressivos ao Irã nas próximas duas ou três semanas, trazendo o país "de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem".
Em reação, o petróleo disparou em Londres e em Nova York e os rendimentos dos Treasuries subiram, com os receios renovados de que a guerra possa impulsionar a inflação e exigir juros em níveis mais altos nos EUA.
Às 9h56, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 3 pontos-base, a 4,354%.
No Brasil, após três sessões de baixas, as taxas dos DIs subiam, acompanhando a aversão global a ativos de risco, que também penaliza o real. Entre investidores e analistas, a volatilidade recente dos mercados mantém as dúvidas sobre a decisão de política monetária do Banco Central no fim deste mês.
Na terça-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 48,00% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em abril, 27,00% de chance de corte de 50 pontos-base e 15,00% de possibilidade de manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano.
No início da sessão desta quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial no país avançou 0,9% em fevereiro ante janeiro e cedeu 0,7% contra fevereiro do ano passado. Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de ganho de 0,7% na comparação mensal e de queda de 1,0% na anual.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 9h57 desta quinta-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JAN/27 14,125 14,034 0,091
JAN/28 13,86 13,723 0,137
JAN/29 13,81 13,674 0,136
JAN/30 13,87 13,739 0,131
JAN/31 13,92 13,798 0,122
JAN/35 13,97 13,858 0,112
(Edição de Camila Moreira)


