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Alvo do terrorismo, Filipinas fica em pânico com ataque a resort

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MANILA - A capital das Filipinas viveu uma madrugada tensa de ontem para hoje após um homem armado com um rifle invadir um resort, incendiar uma mesa de jogo e atirar contra TVs, semeando pânico num país em alerta elevado depois que a lei marcial foi declarada no Sul — onde o grupo Maute, facção local do Estado Islâmico (EI), vem travando uma guerra pelo controle de Marawi. Após horas de nervosismo, medo e informações incertas — em que a expectativa era de que se tratava de um ataque terrorista (o EI chegou a reivindicar a autoria do suposto atentado) — a polícia afirmou que o caso provavelmente fora um roubo fracassado. A situação foi normalizada por volta 6h, quando o suspeito foi morto.

No total, 30 pessoas ficaram feridas e uma pessoa foi atingida por tiros no pé. A maioria dos pacientes atendidos nos dois hospitais da região sofreram com os efeitos da inalação de fumaça e com pequenas fraturas — houve muita correria e várias pessoas pularam do segundo andar para escapar no meio do pânico.

— Um atirador estrangeiro foi visto invadindo o estoque do cassino e roubando fichas — afirmou o diretor-geral da polícia nacional, Ronald de la Rosa. — Estamos tratando como roubo porque ele não machucou ninguém e foi direto para o estoque, atirando em TVs. O homem carregava gasolina, que despejou sobre uma mesa e incendiou.

Após o incidente, o suspeito, que não fez reféns, fugiu para o hotel. Ele foi morto pela polícia, que esvaziou os quartos durante a busca.

O incidente começou pouco depois da meia-noite, quando tiros e o que muitos pensaram ser explosões foram ouvidos no Resort World Manila, perto do Aeroporto Internacional Ninoy Aquino e de uma base da Força Aérea — o que reforçou ainda mais os temores de que se tratasse de um atentado. O RWM, como a rede é conhecida, é um complexo de hotéis que conta com cassino, shopping, cinema e teatro em Newport City, um centro comercial e residencial na área metropolitana de Manila. Policiais, bombeiros e dez integrantes da Swat se dirigiram rapidamente para o local.

Testemunhas contaram ter visto um homem armado e mascarado. Um cliente, identificado como Julio Silva, disse à imprensa que se escondeu no banheiro no início da confusão.

— Uma forte fumaça tomou conta do ambiente — contou. — Eu e meus amigos corremos para o segundo andar, onde uma equipe de segurança nos orientou a sair do prédio.

Nas últimas semanas, as Filipinas vêm travando uma guerra contra o Maute em Marawi, cidade perto de Mindanau, a mais de 1,2 mil quilômetros de Manila. Em sete dias, 118 pessoas — 89 jihadistas, dez soldados e 19 civis — morreram nos combates, levando o presidente Rodrigo Duterte a declarar a lei marcial em toda região, onde vivem cerca de 20 milhões de habitantes.

Duterte vem tentando implantar uma política linha-dura não apenas contra o tráfico de drogas, mas também contra o terrorismo. A guerra pelo controle de Marawi já provocou o deslocamento de pelo menos 70 mil moradores.

Minutos após o incidente, um combatente do Maute que fornece atualizações diárias dos confrontos na cidade de Marawi chegou a confirmar que o EI seria o responsável. O presidente americano, Donald Trump, manifestou em Washington sua tristeza e condolências pelas vítimas do que qualificou precipitadamente como “ataque terrorista”.

Durante a invasão, a rede de hotéis disse no Twitter que o local estava bloqueado “após relatos de tiroteio de homens não identificados”: “Pedimos orações durante esses tempos difíceis”, escreveu a conta do RWM.

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