ASSUNÇÃO — O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, criticou nesta sexta-feira o que chamou de “covardia” do governo da Venezuela com a repressão aos manifestantes opositores e pediu eleições no país o mais rapidamente possível. Almagro também lamentou os 20 mortos nos protestos no país, que vêm acontecendo desde 1º de abril, após a decisão do Tribunal Superior de Justiça (TSJ) de assumir as funções da Assembleia Nacional.
Almagro descreveu o governo do presidente Nicolás Maduro como um regime que tem as mãos manchadas com o sangue do seu próprio povo. Onze das 20 vítimas fatais morreram em confrontos e saques ocorridos na madrugada desta sexta-feira, em Caracas. A cidade viveu uma noite de violência, principalmente em bairros populares como El Valle, 23 de Janeiro e Petare (considerada a maior favela da América Latina).
— Quando a liderança política dá ordem de atirar contra o próprio povo, isto é um sinal muito forte de covardia e de debilidade — declarou Almagro, em Assunção, no Paraguai. — Um governo forte se sustenta com o poder que o povo lhe concede, e não com a repressão a este povo.
A escalada de violência despertou inquietude internacional e vários países latino-americanos, incluindo o Brasil, a União Europeia e a ONU pediram que a Venezuela garanta protestos pacíficos. Segundo confirmaram ONGs como o Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos (Provea), manifestações civis foram reprimidas pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e, em muitos casos, também atuaram os coletivos chavistas (grupos armados que defendem o governo).
A oposição continua organizando protestos pelo país. No sábado, está planejada uma “marcha silenciosa” em Caracas em homenagem aos mortos nas manifestações, e para a segunda-feira está previsto um bloqueio nacional nas principais rodovias da Venezuela. O governo de Maduro até o momento resiste à pressão dos maiores protestos em três anos.

