BERLIM - Apesar de reeleita, nem tudo são flores na gestão de Angela Merkel. Além de ver entrar no Parlamento representantes da extrema-direita, também no domingo outro revés atingiu sua plataforma eleitoral. Símbolo da Berlim dividida nos anos da Guerra Fria, a desativação do Aeroporto de Berlim-Tegel (TXL), próximo ao centro da cidade, foi assunto de um referendo no mesmo dia da eleição. Embora Merkel tenha declarado sua posição contrária à manutenção do aeroporto, 56% dos berlinenses decidiram mantê-lo.
Entre os argumentos que defendem os contrários a Tegel está o fato de que suas estruturas são antiquadas e inseguras, o que demandaria ao menos € 1 bilhão em reformas. Mais ainda, enquanto viajantes frequentes têm no aeroporto uma grande vantagem devido à sua localização, opositores defendem que a área poderia ser usada para a construção de um novo centro tecnológico e de negócios na capital, além de casas populares.
O intento de Merkel é transferir os voos para o Aeroporto de Berlim-Brandemburgo (BER), em construção. O enorme empreendimento, marcado por atrasos e problemas de planejamento, começou a operar seis meses atrás, mas ainda não tem data fixa de abertura oficial. Os berlinenses contrários à mudança, no entanto, afirmam que o novo espaço ainda não será suficiente para suportar os mais de dez milhões de passageiros que Tegel recebe por ano.
O resultado obriga as autoridades a repensarem sua estratégia quanto ao BER. Michael Mueller, prefeito de Berlim, disse que o resultado criou uma “situação muito complexa”. As companhias aéreas não ficaram de fora do embate e também se dividiram quanto ao destino do aeroporto de Tegel. A alemã Lufthansa fez coro à chanceler, e a Ryanair ajudou na campanha pró-manutenção.

