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Artigo: Resultado prova que extrema-direita está viva

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Os alemães, como sabemos, chamam sua recém-reeleita chanceller de mutti, ou “mamãe”. Se assim for, e me desculpo pela imagem grotesca, Angela Merkel acaba de dar vida a uma descendência assustadora — nazistas no Parlamento de novo.

Seu partido democrata cristão de centro-direita, nesse pleito, esteve em sua pior forma em toda a era pós-guerra. Além disso, ela também arrastou para baixo os aliados social-democratas da coalizão — desabando para um mero quinto dos votos do que antes fora um grande e orgulhoso partido. Os dois agora mal têm metade dos votos, onde antes já dominaram completamente. A política alemã está se fragmentando e é um lugar muito mais perigoso do que indicam as manchetes anunciando o quarto mandato da mamãe.

Da Hungria à França e da Holanda até a Polônia, os votos antiestablishment, anti-imigrantes, anti-União Europeia não desapareceram, mesmo se ainda não atingiram poder significativo na Europa Ocidental. Ninguém deveria se sentir confortável com grupos de extrema-direita alcançando o segundo e terceiro lugar nos votos, quanto menos o primeiro, como em Polônia e Hungria. Talvez o AfD (Alternativa para Alemanha, partido de extrema-direita) seja menos nazista do que possamos temer, e tem o usual complemento de desajustados e confusos, mas ainda assim não deve haver tolerância.

É preciso que na Alemanha de agora haja uma coalizão garantindo que o AfD não se torne a oposição oficial no Parlamento — o que quer dizer que os democratas livres e os verdes devem se comprometer com Merkel. É por conta disso que o SPD — segundo lugar no pleito — deve fazer oposição ao invés de integrar uma grande coalizão com os democratas cristãos, o que significaria deixar o papel de oposição principal, mais o prestígio e as vantagens, para o AfD. É impensável. Felizmente, o SPD está tão enfraquecido que seria suicídio se juntar a Merkel outra vez.

Apenas o fato de que Merkel e (o presidente francês, Emmanuel) Macron venceram não significa que esses extremistas vão voltar para casa. Precisamos seriamente pensar no que acontecerá quando essa dupla começar a perder popularidade na França e na Alemanha. Para onde os eleitores irão? Seria impossível que mais pessoas simpatizassem com a Frente Nacional ou o AfD? Não.

Como muitas combinações de extrema-direita, o AfD pode facilmente se desmembrar: tais facções frequentemente o fazem. Ainda assim, elas não podem ser ignoradas, nem o deveriam as preocupações dos eleitores seduzidos por seus slogans fáceis.

Merkel foi corajosa e correta em manter sua política e permitir a entrada de refugiados sírios, mas falhou em vencer a discussão sobre migração e a Europa, ainda que tenha ganhado, de um jeito ou de outro, essa apertada eleição.

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