Manaus/AM - O anúncio da criação, pelo Ministério da Educação (MEC), de cinco novas universidades federais e cinco Institutos Federais a partir do desmembramento de unidades desse tipo já existentes, como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), recebeu protesto de dois ex-reitores da instituição de ensino.
O ex-reitor Nelson Abrahim Fraiji considera insensatez o que chama de fatiamento da Ufam, enquanto Hidembergue Ordozgoith da Frota, afirma se tratar do desmonte de todo um processo de interiorização vitorioso de mais de quatro décadas da Ufam.
A iniciativa vem sendo considerada eleitoreira por especialistas, por vir um ano antes da eleição presidencial, visando atender ao chamado grupo de políticos do Centrão, que é a base do Governo Federal.
Na minuta do projeto de lei, está prevista a criação das novas universidades, que são a Universidade Federal do Sudeste e do Sudoeste do Piauí (Unifesspi), no Piauí; a Universidade Federal do Alto Solimões (Ufas), no Amazonas; a Universidade Federal da Amazônia Maranhense (Ufama), no Maranhão; a Universidade Federal do Norte de Mato Grosso (UFNMT), no Mato Grosso; a Universidade Federal do Vale do Itapemirim, no Espírito Santo.
DEBATE NECESSÁRIO
Embora afirme que a proposta de criação de uma instituição universitária é sempre muito boa dado pelo pode alavancar todos os indicadores do desenvolvimento social e econômico da região onde está implantada, Nelson Fraiji diz que a proposta apresentada nada mais é que um fatiamento da incipiente Universidade Federal do Amazonas e por isso precisa ser discutida.
“Em vez de potencializar todo o esforço até aqui implementado pela Ufam, essa proposta irá reduzir drasticamente a sua capacidade de atuação nestas regiões onde serão constituídas, dado que as novas instituições não terão a capacidade docente e de infraestrutura que hoje a Ufam dispõe para lidar com o largo espectro da formação de nível superior, assim como para a pesquisa e da extensão nessas regiões mais distantes”, afirma Fraiji.
Para ele, a proposta de criação das novas universidades, reduz e amesquinha a função institucional de cada uma das “universidades” sugeridas dada a sua estrutura reduzida e precária, tanto no sentido da infraestrutura quanto do quadro docente. “Além disso, predispõe estas futuras “universidades” a serem meros produtores de diplomas nas áreas restritas às dos cursos que já estão instituídos e sem a integração da formação acadêmica com a pesquisa e extensão”, pontua.
VOCAÇÃO AMAZÔNICA
Para outro ex-reitor, Hidembergue Frota, a ausência de um planejamento estratégico para a Ufam, respeitando o seu caráter multicampi, levou à sua anunciada desintegração, o que, como consequência, poderá resultar na redução da eficiência do sistema representado pelas instituições federais de ensino superior em nosso Estado.
“O projeto apresenta um enorme aumento de recursos para as atividades meio (administração) em detrimento das atividades fim da universidade (ensino, pesquisa e extensão). Ou seja, um grande investimento em cargos públicos para oferecer o que a Ufam já está oferecendo às populações abrangidas pelo citado projeto”, adverte Frota, lamentando a falta de debates sobre o tema.
Outro ponto citado por ele é que nos municípios onde o MEC pretende criar novas universidades, a Ufam já se encontra instalada, portanto, cria-se apenas novos cargos comissionados e funções gratificadas, que vão aumentar a despesa para o contribuinte de mais de R$10.000.000,00 (dez milhões de reais) anuais, sem ampliar o número de vagas para estudantes, o que é frustrante, no entendimento dele.
Ao citar estudos demonstrando que as universidades multicampi, situadas em vários municípios, são mais eficientes que pequenas universidades, Frota chama a atenção para o atual modelo da Ufam como a melhor forma de universidade atender ao Estado do Amazonas, com suas características desafiadoras de grandes distâncias geográficas e baixa densidade demográfica.
“É importante perseverarmos no processo de interiorização adotado há mais de quatro décadas, um esforço institucional bem sucedido e que deu bons frutos, e enfrentar o grande desafio de dar continuidade a esse processo, estendendo a Universidade para novas fronteiras no noroeste e sudoeste do Amazonas”, afirma ele, destacando ser missão dos mais jovens, de manter as conquistas legadas pelos nossos antecessores e estendê-las ao máximo dos nossos limites, o que tornará a Ufam grande e reconhecidamente imprescindível para a sociedade amazonense.



