A variedade e a qualidade dos produtos expostos pelas organizações indígenas ganham destaque nos três primeiros dias da 38ª Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro). Colares, brincos, flautas e tipitis são alguns dos produtos que tem atraído muita gente para o espaço Seringal montado no Parque de Exposições Dr. Eurípedes Ferreira Lins, na avenida Torquato Tapajós, s/nº, Santa Etelvina, zona norte. A participação dos indígenas tem o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind).
Até o próximo domingo (4), quando a Expoagro de 2011 chega ao fim, as 16 organizações que expõem seus produtos esperam superar os resultados obtidos na feira no ano passado e obter um faturamento que permita a continuidade dos trabalhos desenvolvidos pelas comunidades indígenas.
Entre as organizações participantes está a Ianhã-Bé, do Tarumã-Açu, zona rural de Manaus. Dezesseis famílias são beneficiadas com a venda de produtos como flechas, flautas e luvas de tucandeira, com preços que variam entre R$ 3 e R$ 20.
Expositora assídua da Expoagro e em eventos semelhantes em todo o Estado do Amazonas, Maria do Carmo Sateré reconhece que a presença dos indígenas no evento vai além da questão de reconhecimento pelo espaço conquistado. É uma forma de subsistência para as famílias, principalmente em época de vazante dos rios da região. “Está tudo seco e não temos como pescar ou caçar, por isso convido todos a virem conhecer o nosso trabalho”, disse Maria do Carmo. “Tudo o que a gente ganha é repartido com os parentes”, completou, em referência à forma de tratamento pessoal que é utilizado pelos indígenas.
Próximo ao estande de Maria do Carmo está o de Luís Sateré e Daniel Tariano. No local, podem ser encontrados muitos produtos confeccionados com sementes de guaraná. “Fica mais bonito e valoriza mais um brinco, um colar e até uma bolsa”, disse Luís. “Todo mundo que passa gosta e leva”, acrescentou Daniel.
Música - Quem chega à área destinada aos indígenas na Expoagro, logo ouve um som comum em festas com o ritmo do boi-bumbá. Trata-se do charango. O instrumento se transforma nas mãos do músico José Tikuna. Ele não cobra pela “palhinha”, mas faz questão de se apresentar em frente à banca onde expõe artesanatos para atrair o maior número de visitantes. “A gente procura agradar a todos”, contou José. Mais conhecido como Zé, ele toca flauta indígena para visitante ver.
Na próxima sexta-feira (2), também no espaço destinado à cultura indígena, haverá a apresentação da cantora Djuena Tikuna, em horário a ser definido pela Seind.
Comida - A culinária com tempero indígena também está presente na Expoagro. Uma boa opção é a barraca de Francisca e de Regina Vilácio Sateré. As duas servem café com tapioca, banana assada, farofa de carne, caldeirada de peixe e sucos naturais. Os preços são atrativos. “A gente procura fazer aquilo que cabe no gosto e no bolso do cliente”, brincou Regina, enquanto preparava uma tapioquinha.
A 38ª Expoagro é organizada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror). Ao participar da feira, a Seind trabalha na promoção da inclusão social, geração de renda, valorização do patrimônio cultural, sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica dos povos indígenas no estado.

