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Produções locais são consagradas no Amazonas Film Festival

A produção audiovisual amazonense foi a grande vencedora da 8ª edição do Amazonas Film Festival. Os curtas-metragens Cachoeira, de Sérgio Andrade, vencedor na categoria melhor curta brasileiro, e a produção Parente, de Aldemar Matias, que ganhou como melhor curta amazonense, foram as principais premiações da noite. Na categoria longa metragem, venceu o filme iraniano A Separação, do diretor Ashgar Farhadi.

Profissionais da indústria do cinema de todo o mundo se encontraram no 8º Amazonas Film Festival que entre os dias 3 e 9 de novembro transformou  Manaus   numa grande sala de cinema. Teatros e salas culturais integram as dezenas de espaços onde as mostras de cinema exibem curtas e longa-metragem para os mais variados públicos.

Para o governador do amazonas Omar Aziz, além de projetar o Estado no cenário internacional do cinema, a maior satisfação é saber que o festival abre oportunidades para quem produz no Amazonas. “Hoje, a minha maior satisfação pessoal é que as pessoas que produzem filme aqui tem uma oportunidade única de expor seus filmes em um festival internacional de cinema”, disse Omar, ao ressaltar o esforço dos jovens cineastas amazonenses em produzir seus próprios filmes.

Segundo o governador, o grande sonho é trazer a indústria de cinema e produzir grandes filmes no Amazonas, o que não acontece do dia para noite. Ele revelou que o Festival está no caminho certo e que a criação do curso de cinema para a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) vai abrir esse caminho. “Nossa região é privilegiada como cenário por causa de  nossos rios, nossas fauna e flora. Qualquer cineasta do mundo teria uma grande satisfação em filmar aqui. É um investimento que tem retorno, gera empregos e oportunidades. Agora, com o curso de cinema da UEA, vamos ter gerações sendo formadas e futuramente profissionais de alto gabarito fazendo filme na nossa região”.

Para o próximo ano, uma das novidades do festival será a transmissão ao vivo da noite de encerramento pelo Canal Brasil, canal a cabo dedicado a exibição da produção cinematográfica brasileira. Omar também anunciou o lançamento de dois novos eventos culturais promovidos pelo Governo do Estado: a Bienal do Livro e a Bienal de Artes Plásticas, que serão inseridas no calendário a partir de abril de 2012.

Omar Aziz se disse lisonjeado pelos elogios feitos pelo cineasta Fernando Meirelles ao Governo do Amazonas pela realização do festival. “Ele sabe do esforço que é feito para se promover um evento como esse. Poucos estados tomam iniciativa. Fomos audaciosos. Há oito anos não tínhamos absolutamente nada. Agora, temos que fazer um arranjo para criarmos tais condições”, disse Omar Aziz.

Os números – Os números  comprovam a consolidação do Amazonas Film Festival como um dos maiores e mais importantes festivais de cinema do Brasil. Em sete dias de programação da oitava edição do Amazonas Film Festival, mais de 180 filmes foram apresentados em cerca de quarenta teatros, salas de cultura e espaços transformados em cinema. Foram 33 longas e curtas do Brasil e do Exterior exibidos em primeiríssima mão para o público amazonense que teve, já na abertura do festival, a première mundial do filme Xingu, dirigido por Cao Hamburger e produzido pelo consagrado diretor Fernando Meirelles, o mesmo do documentário concorrente ao Oscar, Lixo Extraordinário, do fenômeno Cidade de Deus e do recém concluído 360, apresentado em festivais europeus.

Xingu abriu o 8º Amazonas Film Festival na noite de 3 de novembro para uma plateia de 700 pessoas no Teatro Amazonas, entre elas o próprio Fernando Meirelles, presidente de honra desta edição que fez questão de enfatizar a importância do festival de Manaus na divulgação de produções nacionais.

Para Fernando Meirelles, o Amazonas Film Festival “está se tornando cada vez mais importante, e se continuar nesse rumo, logo desbancará o de Brasília” avaliou o diretor em entrevista à reportagem do festival. Segundo Meirelles, cerca de 90% dos filmes brasileiros são exibidos em menos de dez cidades e “os festivais têm sido a ligação do público com o cinema nacional”, analisa.

Meirelles não economizou elogios ao governo do Estado que em sua avaliação está dando um exemplo para o Brasil com ações de promoção da Cultura e de “incentivo à produção. Estou impressionado com as ações nessa área aqui no Amazonas. Esse incentivo todo à produção de curtas e os investimentos na qualificação de jovens cineastas só pode dar certo. Quem sabe não estão no meio dessa garotada os novos grandes nomes do cinema?”, disse Meirelles em entrevista a um grupo de jornalistas, enfatizando ainda a importância de expandir a exibição dos filmes para vários locais permitindo o acesso ao festival a vários públicos.

Quase duzentos profissionais entre produção, técnica, infraestrutura e segurança foram responsáveis por garantir que tudo acontecesse como o planejado para uma platéia que assistiu a mais de 200 horas de projeção em cerca de 140 eventos e ultrapassaram a casa dos 300 mil espectadores se somados os públicos dos 41 espaços transformados em salas de cinema entre teatros, Largo São Sebastião e  mostras paralelas, revela o secretário de Cultura Robério Braga baseado em números de edições anteriores.

Segundo o secretário, cada edição do Amazonas Film Festival tem impacto direto na geração de cerca de 500 postos de trabalho entre profissionais de hotelaria, transporte, alimentação, produção e segurança.

Para Robério Braga, a bancada de jurados esteve à altura dos concorrentes,  referindo-se à premiadíssima Randa Haines, diretora de sucessos como Os Filhos do Silêncio e Golpe do Destino, o cubano Ivan Giroud, consultor em vários festivais internacionais e o ator mexicano Alfonso Herrera, ex-integrante do fenômeno juvenil Rebeldes.

Tizuka Yamasaki, premiada no Festival de Cannes com o filme Gaijin-Caminhos da Liberdade e com a minissérie O pagador de Promessas e Cao Hamburger, diretor de Castelo Rá Tim Bum, o Filme, aclamado nos festivais de Toronto e de Chicago e de O ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, lançado em mais de 20 países completam o júri internacional que viveu em Manaus sete dias de atividades inesquecíveis no 8º Amazonas Film Festival.

Boas notícias para o cinema

O 8º Amazonas Film Festival foi repleto de boas notícias para a sétima arte no Estado.  Além de anunciar a criação do primeiro curso de graduação em cinema no Amazonas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com ingresso em 2013, o Governo do Estado vai oferecer cursos de especialização na área em parceria com a Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro. Também anunciou que vai dobrar, a partir de 2012, a verba dos editais do Programa de Apoio às Artes (Proarte) destinado à produção audiovisual. Atualmente, os editais do Proarte na área de cinema disponibilizam R$ 12 mil por cada projeto de produção de filmes, tanto para ficção quanto documentário.

Bolsas de estudo em Cuba – Outra novidade planejada para o ano que vem é a possibilidade de amazonenses fazerem o curso de cinema na renomada Escola de Cinema e TV de Cuba. Segundo Robério Braga, a ideia é que a universidade ofereça cinco bolsas de estudos exclusivamente para amazonenses, sendo três delas para residentes em Manaus e outras duas para pessoas do interior do Estado. Serão especializações nas áreas de roteiro, produção, direção, fotografia, som, documentário e edição. “Vamos negociar com a embaixada de Cuba e estabelecer critérios, o que será feito pela secretaria em parceria com os artistas”.

Seminário – O Amazonas Film Festival também contou com o seminário Iberoamerican Films Crossing Borders, um dos mais importantes da indústria cinematográfica mundial que reúne profissionais de países como Espanha, Argentina, Cuba, México, Alemanha e Brasil. O seminário existe desde 2003 e percorre festivais de cinema em todo o mundo. Essa é a primeira vez que é realizado na América Latina.

 

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