É antigo o ditado que pedagogicamente diz que "casa de ferreiro usa espeto de pau". A Câmara de Vereadores de Borba, municipio do Amazonas, já sabedora das peripécias públicas de seus integrantes, que vão desde comprar cerveja com verbas oficiais a orgias que fariam Calígula parecer um Monge Tibetano, lançou mão do chamado "boi de piranha", a fim de tirar o foco da população de um problema maior: a pedofilia. Uma CPI, que estaria investigando uma "crise"na saúde municipal, descobre-se agora que tinha outra finalidade.
A Comissão Parlamentar de Inquérito criada pelos vereadores na verdade visou esconder o que não é novidade: que o interior do Amazonas, além de fauna riquíssima, tem tambem Floras, Marias e outras meninas, menores de idade, geralmente paupérrimas, vítimas (sob todos os pontos de vista) de uma meia dúzia de coronéis de barranco, como parece ser o caso do Vereador Carlos Lopes, acusado de pedofilia e agora encrencado com a justiça.
O caso de Borba repete o de Parintins, onde o ator principal foi o vereador João Bacu.
O tratamento dado a Bacu foi exemplar. O de Borba, não se sabe que rumos vai tomar. Há um pesado esquema político para proteger o suposto cabeça de um crime que precisa e deve ser combatido com o maximo rigor.
Que não se feche os olhos a mais esse escândalo em nome de interesses partidários, como ocorreu com Coari, onde um prefeito acusado de corrupção e pedofilia acabou impune, porque o Estado tinha como regra tratar bem os "amigos do rei". Esse tempo parece que passou. É esperar para ver que tratamento será dado a este caso.

