Manaus/AM - Um levantamento divulgado nesta segunda-feira (15), pelo Juizado da Infância e da Juventude Cível (JIJC) do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), mostrou que o número de adoções em Manaus aumentou mais que dobrou no ano de 2023 em comparação com o ano de 2022.
Em 2023 foram registradas 235 adoções, 121 a mais que no ano anterior, quando foram efetivadas 114 adoções. De janeiro a novembro de 2023, o levantamento aponta que 44 legitimações foram realizadas por meio do Sistema Nacional de Adoção (SNA); outras 38 foram na modalidade de adoção unilateral e 144 por afetividade.
Em relação ao mês de dezembro, que registrou nove adoções, as informações sobre modalidade ainda não foram detalhadas. Segundo a juíza Scarlet Braga Barbosa Viana, o aumento tem duas características: a primeira é que esse crescimento representa o esforço concentrado de toda a equipe que atua no Juizado, e a segunda é que cada vez mais as famílias estão buscando regularizar a situação das crianças e adolescentes.
A magistrada também reforçou a importância da adoção legal. “Apesar desse aumento ser significativo e positivo, é importante ressaltar que os dados ainda refletem a necessidade de superar a cultura de entrega desprotegida de crianças, de modo que a adoção passe a ocorrer, de forma majoritária, por famílias devidamente habilitadas à adoção, por meio do Sistema Nacional de Adoção, e para essa finalidade estamos trabalhando”, pontuou.
Mutirões realizados por projetos específicos, como o “Encontrar Alguém” e o “Acolhendo Vidas”, também tem impulsionado o aumento dos números.
Criado em 2018, o “Encontrar Alguém” tem por objetivo sensibilizar as pessoas a terem um olhar para as crianças e adolescentes institucionalizados que não são de fácil adoção, seja por terem idade avançada, ou serem grupos de irmãos, ou possuírem alguma deficiência ou condição especial de saúde. O “Acolhendo Vidas”, por sua vez, atua voltado para a mulher grávida que não deseja exercer a maternagem e pretende entregar o filho à adoção.
Segundo o Juizado, em Manaus, 51 crianças ainda estão na fila aguardando o acolhimento de uma família. Oito meses após se tornar mãe, Fabiana incentiva a adoção e destaca que esse é um ato de amor que exige paciência na construção de um vínculo familiar. “A adoção é o ato de amor mais pleno que o ser humano pode ter, muda a vida tanto da criança ou adolescente, quanto da família em questão, mas, exige que se tenha respeito, paciência, e muito amor para a construção diária desse vínculo familiar. A adoção da nossa princesa foi a melhor decisão das nossas vidas. Hoje somos completos e realizados por termos ela em nossa vida”, afirma.
Categorias
As três categorias apontadas no levantamento do Juizado da Infância e da Juventude Cível são adoção a unilateral, por afetividade e por meio do Sistema Nacional de Adoção.
A adoção unilateral acontece quando alguém adota o filho do cônjuge ou companheiro, quando não consta o nome de um dos genitores ou este tenha perdido o poder familiar, ou, em caso de morte do outro genitor, podendo o cônjuge/companheiro do sobrevivo adotar, formando um novo vínculo familiar e jurídico.
Adoção por afetividade é quando a pessoa que não tem relação de parentesco com a criança cria com o tempo um vínculo afetivo para se tornarem pais.
Pelo Sistema Nacional de Adoção, os interessados em legitimar uma criança fazem o cadastro e são encaminhados a uma listagem nacional. No momento do cadastro os futuros pais podem escolher o perfil da criança.

