Manaus/AM - A Polícia Federal revelou que militares de altas patentes, do Exército Brasileiro, estão envolvidos no esquema de extração, importação e exportação de ouro e garimpos ilegais no Amazonas. O grupo recebia propinas de empresários e um era o responsável por repassar informações antecipadas sobre operações que seriam deflagradas no estado, sobretudo na região de Juruá.
“Foi identificado um militar que passava informações para a organização criminosa. Informações de operações policiais que eram realizadas na Amazônia, o militar era lotado na época aqui no Amazonas. Esse tipo de conduta coloca em risco tanto militares, quanto órgãos como a Polícia Federal e outros órgãos que atuam no combate a crimes ambientais”, explica o delegado da PF, Sávio Pinzon.
O militar em questão, que não teve o nome revelado pela PF, foi preso em Ponta Grossa, no Paraná, onde mora atualmente. Na casa dele também foi cumprido mandado de busca e apreensão.
De acordo com o delegado Adriano Sombra, a esposa do militar também fazia parte da organização criminosa. Ela recebia valores em nome dos suspeitos.
A Operação Jurupari é o desdobramento de outra operação que começou em 2020 com a prisão de um empresário em Ji-Paraná, em Rondônia, que foi preso enquanto transportava ouro ilegal. No dia 14 de outubro daquele ano, ele foi preso e dois dias depois de ser posto em liberdade foi executado a tiros na frente da sua loja de carros.
A partir de perícia no celular dele, a polícia descobriu o esquema da organização. Ao longo das investigações, foi possível apurar ainda que tantos pessoas físicas e empresas de fachadas eram usadas para fazer a lavagem do dinheiro ilegal.
“Através do celular dele foi possível constatar a existência dessa organização criminosa instalada no município de Japurá. Esses indivíduos faziam a retirada do ouro e vendiam para empresas de fachadas que comercializavam em Porto Velho ”, diz Adriano.
A PF não divulgou os nomes dos alvos da operação e nem o valor que a organização movimentou ao longo destes dois anos, mas afirmou que a esposa do militar está foragida.
Adriano ressaltou ainda que a Justiça Militar também atua no caso para identificar todos os militares envolvidos no esquema e aplicar as devidas punições.

