Manaus completa 354 anos nesta terça-feira (24), em um cenário desafiador, que não inspira grandes comemorações coloridas, agitadas, repleta de festividades e alegrias como nos tempos passados.
A seca histórica, que atinge mais de 604 mil moradores da capital e no interior do Amazonas, modificou paisagens com as queimadas desenfreadas, alterou pontos turísticos como o Encontro das Águas, a Praia da Ponta Negra e tantos outros balneários naturais com a vazante extrema.
A Praia da Ponta Negra, um dos principais cartões postais da cidade, não poderá ser usufruída pelos banhistas neste feriado. Isso porque o banho está proibido desde o dia 2 de outubro devido ao buracos que se abriram na praia artificial.
Com o nível do Rio Negro com 12,89 metros, cenário em Manaus é outro. Onde antes tinha água em abundância, agora é terra seca que isola comunidades inteiras e deixa moradores sem acesso à água potável e com dificuldades de locomoção.
Os Lagos do Aleixo e Mauá, por exemplo, deram lugar à sequidão e pequenas poças de lama. No Lago do Mauá, no bairro Mauazinho, aproximadamente 50 famílias são afetadas e parte dos moradores precisam se deslocar cerca de 400 metros para buscar água potável.
Nesta mesma realidade, estudantes precisam enfrentar um longo trajeto a pé, cheio de lama e valas, para chegar à escola mais próxima.
Os desafios são cada vez maiores, mas nem tudo é tristeza. A seca também trouxe à tona figuras históricas, gravuras rupestres de mais de mil anos que reapareceram na região conhecida como "Praia das Lajes".
Este foi o primeiro local de Manaus a ser registrado no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e agora pode ser prestigiado outra vez.
Há poucos dias do aniversário da cidade, os manauaras também sofreram com a poluição das queimadas que tornou o ar irrespirável e somente a chuva foi capaz de controlar o incontrolável, pois apesar das autoridades combaterem incêndios no interior isso não foi suficiente para evitar que a qualidade do ar se tornasse entre as piores do mundo.
Para este aniversário da cidade fica a reflexão de que Manaus precisa de desenvolvimento sustentável, investimentos e trabalho de conscientização para redução da queimadas, da poluição, proteção da floresta amazônica e a recuperação de igarapés.





