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Lixo carnavalesco: alegorias abandonadas viram 'berçário' de dengue em Manaus

Por Portal Do Holanda

18/02/2024 15h58 — em
Manaus


Fotos: Jander Robson/ Portal do Holanda

Manaus/AM - Com a chegada do inverno amazônico, chega com ele o período de infecções por dengue e uma das principais formas de combater a doença é evitando a proliferação do mosquito em água parada. Acontece que, com o fim do Carnaval, dezenas de alegorias das escolas de samba que desfilaram no sambódromo foram abandonadas e têm se tornado um verdadeiro “berçário” do Aedes aegypti.

Quem transita pela Avenida do Samba, no bairro Dom Pedro, zona Centro-Sul de Manaus, encontra as alegorias ao “léu”, sem proteção alguma. “É uma tristeza pois tem muito dinheiro investido das escolas de samba. Nada é aproveitado. O isopor fica destruído, a estrutura de ferro fica enferrujada. É um desperdício que traz riscos”, disse uma fonte que atua em um dos barracões das proximidades e que preferiu não ter o nome divulgado.

De acordo com a infectologista Maria Alice, da Hapvida Notredame Intermédica, a dengue é uma doença que merece atenção. “A dengue inicia geralmente com uma febre aguda alta de início súbito, acima de 39 graus, que dura em média de 2 a 7 dias, associada a dor de cabeça, dores articular, dores atrás dos olhos e ainda manchas e erupções pelo corpo que podem ou não estar associado com coceira pelo corpo”, disse.

Além da dengue, o Aedes aegypti também transmite a febre amarela urbana. O macho, como de qualquer espécie, alimenta-se exclusivamente de frutas. A fêmea, no entanto, necessita de sangue para o amaduremento dos ovos que são depositados separadamente nas paredes internas dos objetos, próximos a superfícies de água limpa, local que lhes oferece melhores condições de sobrevivência. No momento da postura são brancos, mas logo se tornam negros e brilhantes.

Em média, cada mosquito vive em torno de 30 dias e a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos. Se forem postos por uma fêmea contaminada pelo vírus da dengue, ao completarem seu ciclo evolutivo, transmitirão a doença.

Mosquito possui listras brancas em partes do corpo. Foto: Divulgação

Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície, principalmente em recipientes artificiais. Quando chove, o nível da água sobe, entra em contato com os ovos que eclodem em pouco menos de 30 minutos. Em um período que varia entre sete e nove dias, a larva passa por quatro fases até dar origem a um novo mosquito: ovo, larva, pupa e adulto.

Casos

Somente no primeiro mês deste ano, no período de 1º a 25 de janeiro, o Amazonas registrou 3.934 casos da doença, ou seja, um aumento de 38% em comparação ao mês inteiro de janeiro de 2023, quando o estado confirmou 2.860 casos da doença. Os dados são da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS).

Respostas

Em nota, a Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) informou apenas que a sua participação no Carnaval de Manaus, se dá pelo fomento às Escolas de Samba, através de chamamento público e que a responsável sobre o assunto seria a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa é responsável pelo sambódromo. A Manauscult não tem gerência, nesse caso.

Já o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, informou que notificou as Escolas de Samba, por meio de ofício datado do dia 2 de fevereiro, acerca da necessidade de providências quanto à não utilização da área da Concentração ou entorno do Sambódromo para guarda dos carros alegóricos, após a realização do desfile de cada agremiação, tendo como prazo limite para realização da retirada dos mesmos o dia 11 de fevereiro de 2024 (domingo).

“A Secretaria de Cultura e Economia informa que reforçará a orientação junto às agremiações carnavalescas para que a retirada das alegorias, atribuição das Escolas de Samba, seja realizada com a maior brevidade possível”, diz o comunicado.

A Liga Independente das Escolas de Samba do Amazonas (Liesa-AM) não respondeu aos questionamentos da reportagem.


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O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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