A Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs) do município de Lábrea, 702 km de Manaus, em linha reta, na Região do Purus, esperam colher nesta safra 200 toneladas de feijão de praia, uma das melhores dos últimos anos e 40% maior em relação à do ano anterior.
Além dos bons resultados na produção, os produtores também comemoram o preço obtido no mercado local que de R$ 0,60 chegou a R$ 1,50 o quilo. O período da colheita iniciou em outubro e segue até dezembro.
Os resultados alcançados pela comunidade são frutos da intervenção do Governo do Estado, por meio da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas-ADS, Agencia de Fomento do Amazonas -AFEAM e Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas-IDAM.
O trabalho com a comunidade iniciou há três anos, quando a ADS ajudou os produtores a se organizarem e vem intervindo junto à AFEAM na obtenção de capital de giro. O IDAM fomentou a distribuição das sementes e forneceu a assistência técnica aos agricultores.
Para garantir mercado à toda produção do feijão de praia, A ADS introduziu o produto no Programa de Regionalização da Merenda Escolar- PREME, imprimindo valor de mercado ao produto. “Nossa iniciativa foi dada no sentido de organizar os produtores para que eles tivessem produtividade com escala e volume de produção”, explica o presidente da ADS, Valdelino Cavalcante.
Parte da produção do Feijão de praia que já está sendo colhida este ano, 7.500 kg irá atender a Secretaria Municipal de Educação - Semed e 80.000 kg terá como destino a Secretaria de Estado da Educação e Qualidade de Ensino - Seduc.
Benefício
Uma média de 400 famílias estão envolvidas na atividade do plantio, colheita, armazenamento e beneficiamento do feijão de praia. Segundo o presidente da Associação, Antonio Malveira Gomes, o apoio dado pelo governo do Amazonas por meio dos diversos órgãos envolvidos possibilitou que os agricultores se organizassem em associação. “Graças a Aspacs estamos conseguindo um preço justo e com garantia de mercado para nosso produto que está sendo comercializado diretamente com o Preme , por meio da ADS”, destacou. O município de Lábrea se destaca pela produção do feijão de praia. A expectativa do município é colher 800 toneladas do produto este ano.
A Aspacs reúne 321 associados que possuem a Declaração de Aptidão ao Pronaf (Dap). Os produtores aliam a agricultura familiar com o extrativismo da castanha, borracha, gordura de tucumã, murumuru, óleo de copaíba e andiroba.
Malveira conta que o dinheiro obtido na venda do feijão de praia e de outros produtos está ajudando a comunidade a realizar antigos desejos como, por exemplo, a compra de aparelhos de televisão e parabólica. “A novela para nós é a nossa principal atração”, disse. O presidente relata ainda que o dinheiro também está sendo investindo em material de consumo e equipamentos como motor de luz e embarcações para fazer o escoamento da produção. A comunidade já adquiriu um secador rotativo com capacidade para 12 toneladas.
Crédito
Segundo o presidente da Associação, a obtenção de fomento é importantíssima para o setor, tendo em vista os altos custos com a logística e transporte do produto. O feijão é cultivado nas áreas de várzea das comunidades ribeirinhas do município e entorno. O processo de compra e coleta do produto é feito com embarcação própria com capacidade para 25 toneladas. Geralmente, cada viagem dura em torno de 20 dias e despesas chegam a R$ 10 mil com combustíveis, alimentação, sacarias, entre outras.”Sem crédito seria inviável para nós desenvolvermos esta atividade”, afirma.
Só este ano, a AFEAM já liberou cerca R$ 400 mil em fomento para a safra de feijão de praia. A Agência também repasssou recurso para as outras atividades extrativistas, como por exemplo, castanha (R$ 490 mil), óleos vegetais (R$ 120 mi) e borracha (R$ 46 mil).
Segundo o agricultor, o pagamento será feito a partir da venda dos produtos, “É um recurso que está sendo investido diretamente no fortalecimento do nosso setor primário”, destaca.
Para o produtor, a maior dificuldade dos associados é com o processo de transporte da produção porque eles dependem do rio cheio para conseguir visitar as comunidades e recolher o produto. No ano passado, em virtude da vazante prolongada, a colheita iniciou no final do mês de novembro, fazendo com que os produtores tivessem uma perda de 20% . ”Mas, este ano, graças a Deus já iniciamos nossa colheita no início do mês com previsão de uma boa safra”, comemora.

