Início Manaus Estudantes da UEA apresentam pesquisa em congresso nacional
Manaus

Estudantes da UEA apresentam pesquisa em congresso nacional


Alunos do curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) desenvolvem uma pesquisa inédita que está chamando a atenção da comunidade científica no Brasil e no Exterior. O estudo avalia a origem, desenvolvimento e conseqüências do bócio, conhecido como papo, provocado pelo aumento da glândula tireóide.

Esta semana, seis trabalhos relacionados à pesquisa foram apresentados no 29º Congresso Brasileiro de Cirurgia que reuniu em Fortaleza, especialistas, profissionais e estudantes da área da Saúde.

O nome é estranho, mas o problema é mais comum do que se imagina e pode trazer sérias conseqüências para o paciente,  garante Emanuel Gomes, estudante do 7º período de Medicina na Escola Superior de Ciências da Saúde da UEA e veterano no grupo de estudos formado há três anos.

Resultado do mau funcionamento da glândula tireóide, responsável pela produção dos hormônios que dão energia ao corpo, o bócio não afeta apenas a estética. Segundo Emanuel Gomes o “problema é muito mais sério e pode provocar tosse constante, dilatação das veias do pescoço, alteração no tom da voz, dificuldades de engolir e problemas respiratórios”, explica enfatizando a importância do diagnóstico precoce.

Em casos mais graves, com necessidade de retirada cirúrgica do bócio, o paciente passa por reposição hormonal e um monitoramento rigoroso para evitar alterações no metabolismo do corpo, função diretamente ligada à glândula tireóide.

Estudos avançados

Orientados pelo professor de Medicina João Bosco Botelho, especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, os alunos levaram tão a sério o trabalho que já identificaram um gene na Conexina 32 capaz de provar a hereditariedade da doença. A conexina é uma proteína dos canais de comunicação entre as células e representa estruturas-chave dos tecidos do sistema nervoso central.

Antes da descoberta dos estudantes, cientistas de todo o mundo acreditavam que o bócio era resultado da ausência de iodo no sangue. A preocupação das autoridades brasileiras foi tão grande com o aumento da incidência da doença em todo o país que uma lei foi criada obrigando a indústria do sal de cozinha a aumentar as doses de iodo no produto, principalmente nos lotes comercializados na região Norte.

O professor João Bosco Botelho explica que a doença é mais comum em toda a região amazônica e que a gravidade também é maior. “Percebemos que os bócios que analisamos eram muito maiores em relação a outros estados brasileiros e chegavam a pesar entre 250 a 300 gramas”, revela o especialista recentemente premiado com o título doutor honoris causa por autoridades francesas.
 
As pesquisas dos estudantes de Medicina da UEA foram apresentadas no ano passado nos congressos de Otorrinolaringologia de Portugal e da França onde serão mostrados os avanços no evento deste ano, e conquistou o segundo lugar no Prêmio Garcia de Prado, da PUC do Rio Grande do Sul concorrendo com pesquisadores de toda a América Latina. O primeiro lugar foi conquistado por um grupo de pesquisas formado por profissionais da área da Saúde.
 

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?