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Especialistas em Manaus alertam para os riscos da subnotificação de leptospirose

Especialistas em Manaus alertam para os riscos da subnotificação de leptospirose
Especialistas em Manaus alertam para os riscos da subnotificação de leptospirose

Manaus/AM - Com 422 casos de leptospirose no Amazonas no período de 2010 a 2020, dos quais 9% foram a óbito, a doença, transmitida pela urina de animais principalmente como ratos, ainda é muito subnotificada e negligenciada, por isso deve receber mais estratégias de combate das autoridades de saúde.

Essas foram conclusões do I Congresso Nacional de Leptospirose na Amazônia – One Health, realizado em Manaus no último dia 16, pelo Instituto Leônidas & Maria Deane  (ILMD/Fiocruz Amazônia), com o objetivo de propor estratégias voltadas para a prevenção, o diagnóstico e o atendimento de pessoas acometidas por leptospirose.

O evento reuniu mais de 500 pesquisadores, profissionais da área da saúde, representantes das secretarias municipais de saúde e estudantes.

Pelos dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, entre os anos de 2010 a 2020, foram confirmados no Brasil  39.270 casos de leptospirose (média anual de 3.734 casos), variando entre 1.276 (2.020) a 4.390 casos (2011).

Nesse mesmo período, foram registrados 3.419 óbitos, com média de 321 óbitos/ano. A letalidade média no período foi de 8,7% e o coeficiente médio de incidência de 2,1/100.000 habitantes.

Em 2019, o Amazonas registrou 162 casos suspeitos da doença, 52 confirmados e sete óbitos.

A pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Luciete Almeida, que coordenou o congresso, afirmou a necessidade de reunir estudos e pesquisas que permitam aprofundar os métodos de diagnóstico, tratamento e prevenção da doença, contribuindo para reduzir o problema da subnotificação.

 

NÚCLEO

A médica, que é bióloga e especialista em Biotecnologia, com doutorado em Medicina Tropical, destacou que, com essas informações, tem-se os subsídios necessários para a criação de um núcleo de pesquisa de epidemiologia molecular em leptospirose na região amazônica, mais especificamente em Manaus.

Luciete apontou o esforço da Fiocruz em pesquisas cientificas sobre a doença e o pioneirismo na realização de um congresso nacional sobre a doença.

“É da Fiocruz, por exemplo, o kit de teste rápido para diagnóstico da leptospirose, em uso hoje no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Gonçalo Muniz – Fiocruz/Bahia, que tem representantes participando do Congresso”, afirmou a bióloga.

Durante o evento, ficou evidenciado que a leptospirose é uma doença ainda negligenciada por se confundir com outras viroses e estar associada às condições precárias de saneamento básico observadas em vários Estados brasileiros, especialmente na nossa região.

A subnotificação, segundo a bióloga, afeta diretamente as populações vulneráveis que convivem com o lixo nas ruas e bueiros a céu aberto, propiciando a contaminação.

“Se analisarmos as séries históricas de casos, veremos que a cada dez anos é muito pouco o número de notificações de leptospirose e óbitos pela doença no Brasil e no mundo, daí a importância de se discutir políticas públicas de saneamento básico, campanhas de conscientização, coleta diária e destinação correta de lixo. Essas são questões presentes em todos os espaços urbanos”, explicou.

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