Manaus/AM - Nesta segunda-feira (18) a enfermeira Mayra Pires Lima fez um impressionante relato na CPI da Covid-19. Servidora pública de Manaus lotada na maternidade Balbina Mestrinho, Mayra contou como perdeu a irmã, mãe de 4 crianças, entre elas um casal de gêmeos de 4 meses de vida para a Covid-19.
"Eu vivi uma guerra, todos os dias víamos 10 pessoas dando entrada e agonizando até a morte. Assumi a assistência de saúde da minha irmã porque tínhamos 5 técnicos de enfermagem para cuidar de 80 pacientes. Monitorei, avisei aos médicos que ela estava agravando, mas a crise não é especificamente do oxigênio, mas um conjunto de fatores e ela precisava ter ido para UTI”, contou Mayra.
"A minha irmã morreu porque precisava de UTI, conseguimos oxigênio, recebemos doações de artistas e a família também se mobilizou para que não faltasse oxigênio pra ela, mas a cidade inteira estava doente, então só o oxigênio não resolveria”, disse.
De acordo com a profissional da saúde, a irmã foi internada no dia 16 de janeiro, mas só deu entrada na UTI no dia 22. "Ela veio a falecer dia 10 de fevereiro com 100% do pulmão comprometido. Os meus colegas não tinham com o que trabalhar para salvá-la”. A atuação dos profissionais da saúde foi decisiva para resgatar vidas em risco, e Mayra destacou: "Não queremos parabéns, queremos valorização”
Órfãos da Covid-19
"Quando ela morreu, os gêmeos estavam com 4 meses de vida. Qual a política pública teremos para amparar essas crianças? Eu tenho trabalho e fiquei com meus sobrinhos, mas e as crianças que não mais família ou renda?”, questionou Mayra apontando as dificuldades enfrentadas pelos órfãos da Covid.

