Manaus/AM - Na expectativa de ter que abandonar a área ocupada a comunidade indígena Nova Vida, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), mais de 2 mil famílias moradoras da área localizada no bairro Nova Cidade, receberam a visita de defensores públicos dos núcleos de Moradia (Numaf), Consumidor (Nudecon) e Saúde (Nudesa) da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).
O prazo dado pelo STF é outubro, segundo as lideranças da comunidade, que já está consolidada.
A suspensão temporária de despejos e desocupações ocorreu após o estabelecido pelo próprio durante a pandemia de covid-19.
De acordo com o defensor público Thiago Rosas, que atua no Numaf, a visita serviu para levantar as principais demandas das mais de 2,1 mil famílias que vivem na ocupação, a fim de construir um diálogo entre os moradores e os órgãos públicos envolvidos na disputa judicial pela posse da terra.
De acordo com ele, a intenção é atuar como facilitadores numa construção de consenso. ‘Existe a possibilidade de solução, mas, só o processo judicial que transcorre da Justiça Federal pode trazer uma solução não tão justa para essas pessoas. Por isso, precisamos sentar e conversar com todos”, explicou Rosas.
Segundo o defensor, as reuniões com os órgãos das esferas municipal, estadual e federal ocorrerão ao longo de agosto.
A dona de casa Hilda Moreira, de 47 anos, que é da povo Piratapuia, contou ter vindo de São Gabriel da Cachoeira em busca de trabalho e naquele local que, pela primeira vez, conseguiu ter a casa própria. “A gente tem medo de sair daqui de qualquer jeito, por isso estamos em busca dos nossos direitos”, comentou.
A Associação Multi Etnia Cultural Nova Vida, a área é ocupada desde 2018, não só por famílias indígenas de diversas etnias, mas também por brancos e imigrantes, e era conhecida como um cemitério indígena. Hoje, a comunidade está consolidada, com comércio vivo, igrejas e ruas definidas, mas sem pavimentação. Além da posse da terra, os moradores também reivindicam a regularização do fornecimento de energia e água, e melhorias na infraestrutura.
Outra dificuldade relatada pelos moradores é o acesso a saúde básica, pois a comunidade não possui uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e as mais próximas nem sempre atendem à demanda da população.

