O Bacalhau da Amazônia, feito a partir do processamento industrial do pirarucu na fábrica instalada pelo Governo do Amazonas no município de Maraã (a 634 quilômetros de Manaus), chega ao mercado consumidor da capital como um diferencial no cardápio de restaurantes que esperam atrair novos clientes com o produto, principalmente turistas. A avaliação é da presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas (Abrasel-AM), Janete Fernandes.
Segundo Fernandes, o produto garante um novo diferencial na gastronomia amazonense e deve ser um dos pontos altos da culinária local nos próximos anos. “A gastronomia é uma excelente fonte de turismo para qualquer Estado. Estamos às vésperas da Copa do Mundo de Futebol (em 2014) e esse bacalhau com a marca Amazônia vem para enaltecer a culinária do Amazonas”, afirmou.
O Bacalhau da Amazônia foi lançado comercialmente em Manaus, na quarta-feira (30), com uma variedade de pratos elaborados com o produto por 13 tradicionais restaurantes da capital, um desafio do Governo do Estado aos estabelecimentos para comprovar o potencial do produto. O evento de lançamento foi no Buffet Galáxia, na avenida Mário Ypiranga Monteiro, 1431, Adrianópolis, zona centro-sul, com um jantar oferecido à imprensa.
“Eu tive a oportunidade de fazer esse prato amazônico com o bacalhau e ficou muito bom. Acrescei o tucumã para dar uma coloração diferenciada natural e o paladar é genuinamente japonês. Foi uma mistura desafiadora”, disse o chefe de cozinha, Hiroya Takano. Dono de restaurante especializado em pratos com peixes, Sandro Myach, gostou tanto do resultado da receita com o Bacalhau da Amazônia que pretende incluí-la no seu cardápio já nos próximos meses. “Vou procurar comprar. Ficou muito bom e é uma opção a mais nos restaurantes para ampliar o cardápio e dar mais opções de escolha aos clientes”.
Para garantir que o bacalhau amazônico atenda ao setor gastronômico local, a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) está negociando a venda de cotas diretas para os membros da Abrasel-AM, adiantou o secretário Eron Bezerra. “Evidente que nós vamos atender todo mundo, mas o interesse é, prioritariamente, o mercado local. Queremos garantir a Abrasel uma cota direta para que eles possam vender os pratos com o bacalhau”, disse.
Eron Bezerra lembrou que o bacalhau é o nome dado a um subproduto do peixe gerado com o processo de salga, após a filetagem (corte em filés). A indústria de Maraã utiliza o pirarucu manejado da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá e, além da filetagem e da salga, é feita a retirada das escamas, o descabeçamento e a evisceração do pescado. Da cabeça, remove-se a língua para utilização como artesanato. Das vísceras, o fígado, vesícula, coração e pulmão são usados para extração de patês, óleos e farinhas.
Oferta no mercado - Nesta quinta-feira, 1º de dezembro, o Bacalhau da Amazônia chegou ao mercado consumidor de Manaus em três formatos diferentes. Dois para a venda no varejo, com o quilo custando R$ 35 e R$ 45, e outro em mantas destinado à comercialização no atacado para restaurantes e hotéis. O produto está disponível para compra na 38º Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro), no Parque de Exposições Eurípedes Lins, na avenida Torquato Tapajós, Santa Etelvina, zona norte, e vai permanecer à disposição para venda no Feirão da Sepror, que funciona no mesmo lugar.
O produto também está sendo vendido na Feira do Peixe, na avenida Constantino Nery, próximo ao Parque dos Bilhares, e na feira do Parque Dez, próximo a Clínica da Mulher, ambos na zona centro-sul de Manaus.
Mercado nacional em março - A partir de março de 2012, o Bacalhau da Amazônia produzido com o pirarucu chega ao mercado consumidor nacional através do Grupo Pão de Açúcar, um dos gigantes na distribuição de alimentos no País, com mais de 1,3 mil lojas espalhadas em 18 Estados brasileiros. “Estamos comprando o pirarucu fresco para dezembro (2011), para o Natal, e temos uma encomenda do Bacalhau da Amazônia para a venda nas nossas unidades para a Páscoa”, adiantou o diretor de Relações Corporativas e Responsabilidade Socioambiental do Grupo, Paulo Pompílio.
As negociações para a comercialização do Bacalhau da Amazônia com o grupo empresarial começaram em março deste ano, no Fórum Mundial de Sustentabilidade, realizado em Manaus. Segundo Pompílio, por estar ligada a Amazônia, a marca chama bastante atenção do mercado e deve atrair o interesse dos consumidores, como já vem acontecendo com o pirarucu.
Pompílio visitou a sede da indústria Bacalhau da Amazônia, em Maraã, na terça-feira (29). “É uma satisfação ter conhecido a indústria. É o terceiro ano consecutivo que a gente compra pirarucu fresco e leva para as nossas lojas. Agora tem a experiência do salgado, do bacalhau. O mercado é carente e o produto é muito bom. A gente está acreditando bastante que o Bacalhau da Amazônia será um sucesso”, disse o executivo.

