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Acusados por duplo homicídio pegam 42 anos de prisão


Condenações foram de 23 anos e seis meses de reclusão para um dos réus e de 42 anos e seis meses de reclusão para os outros dois



Após três dias de julgamento, sete jurados decidiram condenar Jaime Machuca Grandes, Jorge Moçambite da Silva e Lucicláudio Souza Silva pelo assassinato do policial peruano Edgar Montesino, ocorrido em abril de 2008 no município de Tabatinga (localizado a 1.105 quilômetros a oeste de Manaus), e por formação de quadrilha. Moçambite e Lucicláudio foram também condenados pelo assassinato do comerciante Máximo Cabrera Medina, que estava conversando com o policial no momento em que ele foi atingido por tiros.

A sentença, proferida no final da noite de ontem (1º), por volta das 23h30, condenou Machuca a 23 anos e seis meses de reclusão, pelos crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha, e condenou Moçambite e Lucicláudio a 42 anos e seis meses de reclusão, por duplo homicídio qualificado e formação de quadrilha. Os três continuam presos e ainda poderão recorrer da sentença.

Também foi acusado dos crimes o narcotraficante Jair Ardela Michhue, o 'Javier', que teve o processo desmembrado, tramitando separadamente na Justiça Federal, sem data ainda para ir a julgamento.

Tráfico de drogas - Edgar Montesino era policial peruano que atuava no setor antitóxico da Polícia Peruana e, em cooperação com a Polícia Federal brasileira, trabalhava para desarticular uma organização criminosa de tráfico de drogas que atuava na região, chefiada por 'Javier'.

O policial e o comerciante foram mortos a tiros em frente a uma agência de viagens de propriedade de Máximo. O comerciante foi o primeiro a ser atingido. O policial Edgar Montesino ainda tentou se refugiar dentro da agência, mas foi perseguido por Moçambite e atingido por vários tiros. As investigações apontaram que 'Javier', que já havia ameaçado o policial peruano, foi o mandante do crime e que Jaime foi o responsável pela contratação dos executores do crime.

Lucicláudio dirigia a motocicleta na qual Moçambite tentou fugir após o crime, depois de ser baleado por policiais que estavam perto do local. O condutor conseguiu fugir na moto e Moçambite, que caiu do veículo, fugiu correndo para a Colômbia.

Sessão durou três dias - A sessão do Tribunal do Júri federal teve início na manhã da última terça-feira (29), quando foram ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. Algumas das testemunhas prestaram depoimento diretamente de Tabatinga, por meio de videoconferência.

No segundo dia (30), foram promovidos os interrogatórios dos três réus. No terceiro e último dia (1º), foi a vez dos debates, quando os representantes do Ministério Público Federal e os defensores dos réus tiveram a oportunidade de apresentar as teses de acusação e de defesa, durante duas horas e meia cada um.

Por volta de 18h, os jurados foram levados pelo juiz presidente da sessão à sala secreta, acompanhados pelo MPF e pela defesa, para decidirem sobre o caso. Cerca de 23h30, o juiz anunciou a sentença, especificando as penas aplicadas a cada réu.

A sessão do Tribunal do Júri foi presidida pelo juiz substituto da 2ª Vara Federal, Márcio André Lopes Cavalcante, e os procuradores da República Isac Barcelos Pereira de Souza e Silvio Pettengill Neto representaram o MPF. O julgamento ocorreu na sede da Justiça Federal do Amazonas.
 

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