Quem foi criança ou adolescente em Manaus no começo dos anos 2000 dificilmente esqueceu o Studio Play, o parque de diversões que funcionava dentro do Studio 5 Festival Mall, na avenida Rodrigo Otávio, no Distrito Industrial. Tinha piscina de bolinhas, montanha-russa, praça de alimentação e cartões de acesso que custavam de R$ 3 a R$ 12. Abria de terça a sexta, das 16h às 23h, e nos fins de semana e feriados a partir das 14h. Quando fechou, poucos anos depois, uma explicação sinistra tomou conta da cidade.
A versão que se espalhou dizia que uma criança de 4 anos havia morrido depois de ser picada por uma cobra coral enquanto brincava na piscina de bolinhas. Segundo o relato, ela teria sentido algo estranho no braço, reclamado de dor com a mãe, voltado a brincar e desmaiado pouco depois, sem resistir ao socorro. A causa apontada era um suposto ninho de corais escondido dentro do brinquedo, e o fechamento do parque, ocorrido logo em seguida, parecia confirmar tudo.
Só que a história não se sustenta. Nunca se descobriu quem seria a criança nem apareceu qualquer familiar para confirmar o caso. O relato circulou exclusivamente por e-mail, canal típico de boatos na época, e nenhuma autoridade jamais registrou a ocorrência. Mais revelador: a mesma narrativa, com pequenas variações, rodou em outras capitais brasileiras, entre elas São Paulo e Curitiba, sempre com um parque diferente no papel de vilão.
Sem comprovação, o episódio virou uma das lendas urbanas mais conhecidas de Manaus, repetida até hoje por quem frequentou o parque. Cobras em brinquedos, porém, não são impossíveis: em outubro de 2022, o Batalhão de Bombeiros Especial foi chamado a uma sorveteria na Praça 14, na Zona Sul, onde encontrou um filhote de jiboia em um brinquedo. O animal foi capturado e solto em área apropriada, e ninguém ficou ferido.




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