Manaus cresceu em volta de seus largos. Antes de virarem jardins com bancos e chafarizes, quase todos eram descampados de barro batido onde a população se reunia para rezar, comprar, protestar ou simplesmente esperar o fim do calor da tarde. Foi o dinheiro da borracha que os transformou em praças de traçado europeu, com coretos encomendados na Escócia e na Inglaterra, estátuas fundidas na Itália e pedras portuguesas vindas de navio. Boa parte desse conjunto continua de pé, a poucos quarteirões de distância um do outro, no Centro Histórico. Conheça as principais.
Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia) — É a mais arborizada do Centro e talvez a mais fotografada. Ocupa 8.515 metros quadrados e começou a ganhar jardins em 1906, na gestão do prefeito Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, sendo inaugurada no ano seguinte. Ao longo do tempo atendeu por Largo do Liceu, Largo do Palacete, Praça da Constituição e Praça Roosevelt, até receber, em dezembro de 1953, o nome do professor e cronista amazonense Heliodoro Balbi. O apelido popular ficou por causa do Comando Geral da Polícia Militar, que funcionava no casarão rosa em frente, hoje Palacete Provincial. Entre as árvores centenárias estão dois coretos de ferro com detalhes em vitral, lagos artificiais, chafarizes e peças de bronze que reproduzem obras do Louvre. A praça passou por revitalização em 2009. Endereço: avenida Sete de Setembro, s/n, entre as ruas José Paranaguá, Dr. Moreira e Guilherme Moreira, Centro.
Praça de São Sebastião (Largo de São Sebastião) — Aberta em 1867, exigiu o rebaixamento do terreno, cuja terra retirada serviu para aterrar igarapés da cidade. É o cartão-postal da capital: reúne o Teatro Amazonas, a Igreja de São Sebastião e o Monumento à Abertura dos Portos. O memorial atual, assinado pelo escultor italiano Domenico de Angelis, foi inaugurado em 5 de setembro de 1900 e substituiu um obelisco simples de 1867. No topo, a figura feminina representa a Amazônia; na base, quatro embarcações apontam para os continentes. O calçamento em ondas pretas e brancas de pedra portuguesa é anterior ao famoso desenho de Copacabana. Endereço: rua 10 de Julho, s/n, Centro.
Praça Dom Pedro II — No período provincial era chamada de Largo do Pelourinho, por causa da coluna onde condenados eram castigados em público. Guarda o coreto de ferro mais antigo de Manaus, trazido de Liverpool em 1882 e montado em 1888, além de uma fonte de bronze inaugurada em 1894. O entorno é um resumo da história local: ali estão o Paço da Liberdade, antiga sede da prefeitura e hoje museu da cidade, o Palácio Rio Branco e as ruínas do Hotel Cassina. Endereço: rua Bernardo Ramos, s/n, Centro.
Praça da Saudade (Praça Cinco de Setembro) — O nome popular tem origem melancólica: o espaço nasceu na década de 1860 diante do antigo Cemitério São José, aberto durante uma epidemia de febre amarela e desativado no início do século passado. No lugar da necrópole funciona hoje a sede do Atlético Rio Negro Clube. A denominação oficial, em referência à data de elevação do Amazonas a província, foi instituída em 1937, mas nunca pegou. Com cerca de 12,6 mil metros quadrados, abriga as estátuas de bronze que representam o homem primitivo e o homem moderno, instaladas em 1963. Endereço: entre as ruas Epaminondas, Ramos Ferreira, Ferreira Pena e Simón Bolívar, Centro.
Praça da Matriz (Praça Oswaldo Cruz) — Registrada como Praça 15 de Novembro, é uma das mais antigas da cidade e já se chamou Largo da Olaria, Praça da Imperatriz e Praça do Comércio. Fica em frente à Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição e funciona como porta de entrada de quem chega ao Centro pelo eixo da avenida Eduardo Ribeiro, no ponto onde o comércio popular encontra a área tombada. Endereço: praça Oswaldo Cruz, s/n, entre as avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, Centro.
Praça Torquato Tapajós (Praça dos Remédios) — Aparece já na planta de Manaus de 1856, quando era o Largo dos Remédios, em referência à igreja vizinha. Recebeu o nome oficial em 1897, em homenagem póstuma ao escritor Torquato Xavier Monteiro Tapajós, mas a população nunca abandonou o apelido antigo. Ganhou feição de praça por volta de 1899, com a construção da rampa que descia para o rio — por ali embarcavam os passageiros rumo ao interior. O monumento ao Sagrado Coração de Jesus, no centro do largo, foi erguido em 1945. Endereço: entre as ruas Miranda Leão, dos Barés, Coronel Sérgio Pessoa e Leovegildo Coelho, Centro.
Todas ficam dentro do perímetro do Sítio Histórico de Manaus e podem ser percorridas a pé em um único passeio, de preferência no fim da tarde, quando o sol perde força e os coretos ganham iluminação. O acesso é livre e gratuito.



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