por Christhian Naranjo
Alguns anos atrás, peguei um daqueles chamados “tapas com luva de pelica”. E o pior de tudo foi que mereci.
Mesmo sem manter amizades, mesmo sem parmanecer por muito tempo pelos corredores e balcões do Fórum, sempre via meu nome envolvido, junto com nomes de outros colegas, em alguma fofoca conversa parelela. Como consequência, fui além do já usual silêncio e passei a entrar no Fórum e evitar até mesmo o contato visual. Se saía do escritório tendo, por exemplo, a 1a. Vara Criminal como destino, eu ali entrava, resolvia minha pendência e deixava o Fórum. E na minha cabeça tudo corria bem até que um dia aprendi minha lição: entrei em determinado cartório em silêncio, olhando para baixo e, após alguns instantes ouvi:
- Bom Dia pelo menos, não é Dr.?
Era uma colega me dando o tapa com luva de pelica. Percebi ali que que tinha ido longe demais, percebi que precisava de um “meio-termo”. E assim fiz. Passei a ter amizades, a conviver com outros colegas, até mesmo com aqueles que criavam as conversas a meu respeito. Sim, a respeito disso, bom frisar: eu consegui identificar as fontes das conversas paralelas, afinal, não existe compromisso de fidelidade e silêncio entre os desprovido de bom caráter.
E assim vivo até hoje, sem dar maiores atenções, sem me importar com comentários diversos. Eu me importo com o que meu pai e minha mãe pensam de mim e ignoro conversinhas com meu nome. Mas abro exceções, é lógico. Essa “Lei do Silêncio” particular pode e deve ser quebrado quando necessário. E hoje é um desses dias.
No dia 27 de Novembro último o jornalista Raimundo Holanda publicou em seu Portal artigo com o nome “Relações Perigosas(Leia aqui)”. O texto dava conta que:
Existia Denúncia contra uma desembargadora, e que esta manteria relações promíscuas com dois advogados de traficantes;
Que tal Denúncia tinha como fonte órgãos de segurança:
Que a investigação não estaria em andamento ante o foro privilegiado da citada autoridade;
Bom, dito isto, acho válido comentar:
Fui tido por alguns como um dos advogados que teriam relações perigosas com a citada autoridade, fato este que me beneficiaria. Esclareço desde já que não tenho relação perigosa com ninguém. Caso isso fosse verdade, não estaria eu agora em São Paulo (Sábado, 03/12/11 – 17:00hrs), após dois dias em Brasilia para, na próxima semana, voltar para Brasilia na esperança de ver solução para meus casos em aberto. Repito, esperança, pois não sei se lograrei êxito.
Acho válido ressaltar que, mesmo com a matéria não mencionando o nome de ninguém, conseguiu irritar. Eu não me irritei, pois não sou um dos advogados ali mencionados.
Outros disseram que eu seria a fonte da noticia. Não serei hipócrita de dizer que não ouvi conversas a respeito (o assunto é de conhecimento geral do mundo jurídico, fato este que multiplica as possibilidades de fontes ) mas lembro que o próprio jornalista cita os órgãos de segurança como as fontes do furo. Bom apontar que o jornalista já mostrou que suas garras são longas e precisas, contando com fontes dentro do Sistema de Segurança, dentro do Poder Executivo e certamente dentro do próprio Tribunal de Justiça.
E por fim, acredito que, se existe algo de podre acontecendo lá pelas bandas da Estrada do Aleixo, as perguntas e as cobranças devem ser direcionadas para a Corregedoria. Peguem-se os dados dos períodos tidos como suspeitos e façamos as contas. Se algo estiver errado, vai aparecer. Caso nada exista, problema resolvido. O importante é que a verdade venha à tona e que a Justiça se faça.
Nunca se esqueça:
"Você pode enganar algumas pessoas todo o tempo, e todas as pessoas algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo".
Bom fim de semana!

