Com a vida cada vez mais cara, cães e gatos estão pagando uma conta que não fizeram. Antes de abrir o portão e virar as costas, lembre-se: seu bichinho não sabe o que é inflação, mas sente o abandono. Tem uma situação que está ficando cada vez mais preocupante: o abandono de cães e gatos que, de uma hora para outra, deixam de ser parte da família e passam a enfrentar a própria sorte nas ruas.
A ração aumentou, as despesas apertaram, o orçamento ficou no vermelho e, infelizmente, alguns tutores estão tomando a decisão mais cruel: abandonar quem sempre ofereceu amor sem cobrar nada em troca. É verdade que a vida não está fácil para ninguém. O preço dos alimentos pesa no bolso, as contas chegam sem pedir licença e, para muita gente, manter um animal de estimação tornou-se um desafio. Mas vamos combinar uma coisa? A dificuldade financeira pode explicar uma situação, mas não transforma o abandono em solução.
O cachorro que abanava o rabo quando ouvia a chave na porta não entende por que foi deixado na calçada. O gatinho que dormia tranquilo no sofá não sabe por que, de repente, precisa disputar espaço, comida e abrigo na rua. Para eles, não existe crise econômica, desemprego ou inflação. Existe apenas a ausência de quem aprenderam a chamar de família.
E aqui vai um recado com aquele jeitinho amazonense: meu amigo, minha amiga, se a vida apertou, converse, peça ajuda, procure alternativas. Só não faça a maldade de deixar o bichinho para trás como se ele fosse um móvel velho que já não combina com a decoração!
Adoção responsável é melhor do que abandono
Quem já não consegue manter um animal precisa saber que existem alternativas. É possível procurar grupos de proteção animal, organizações de adoção, redes comunitárias e pessoas de confiança que possam ajudar a encontrar um novo lar. Em alguns casos, familiares e amigos podem contribuir temporariamente com alimentação ou outros cuidados. Se a permanência do animal realmente se tornou inviável, a solução é buscar uma nova família com responsabilidade, verificar se o adotante tem condições de cuidar dele e, sempre que possível, contar com orientação de protetores ou entidades especializadas.
Mas atenção: protetores independentes e abrigos também enfrentam dificuldades, muitos já estão sobrecarregados e nem sempre conseguem receber novos animais.
Por isso, entregar um pet não significa simplesmente deixá-lo na porta de uma ONG e ir embora. É preciso entrar em contato, explicar a situação e buscar uma solução segura. Também é importante lembrar que adotar não é um gesto de impulso. Antes de levar um animal para casa, a família precisa considerar os custos com alimentação, vacinação, consultas veterinárias, higiene e cuidados ao longo de toda a vida do companheiro.
Abandonar não é apenas falta de carinho: é uma questão de responsabilidade
Nas ruas, cães e gatos ficam expostos a atropelamentos, fome, sede, doenças, maus-tratos e à reprodução descontrolada.
O problema também afeta a coletividade, exigindo ações de proteção animal, conscientização e políticas públicas permanentes. No Brasil, o abandono e os maus-tratos contra cães e gatos podem configurar crime, conforme a legislação vigente. A Lei nº 9.605/1998, com as alterações da Lei nº 14.064/2020, prevê punições mais severas para maus-tratos contra cães e gatos. Portanto, abandonar um animal não deve ser tratado como uma simples mudança de endereço. É necessário fortalecer campanhas educativas, incentivar a adoção responsável, ampliar o acesso à castração e estimular a participação da comunidade.
Proteger os animais é uma responsabilidade compartilhada entre poder público, entidades de proteção e sociedade.
Antes de abandonar, dê uma chance ao amor
Ninguém está dizendo que as dificuldades financeiras são imaginárias. Elas existem e podem transformar a rotina de qualquer família. O que não podemos aceitar é que a solução para um problema humano seja condenar um animal indefeso à fome, ao medo e à solidão. Se você conhece alguém que está pensando em abandonar um cão ou gato, converse.
Ajude a divulgar a adoção, procure uma rede de apoio e compartilhe informações sobre alternativas seguras. Às vezes, uma simples atitude pode mudar o destino de uma vida. E, para encerrar com uma verdade que cabe no coração e no bolso: se o amor não paga a ração, ele pode ajudar a encontrar uma solução; o que ele não pode é virar desculpa para abandonar.
Afinal, cachorro não assina contrato de aluguel, gato não acompanha a cotação da inflação e nenhum dos dois pediu para entrar na sua vida para depois ser descartado na primeira dificuldade.
Quem não pode mais cuidar, precisa encontrar um novo lar. Abandonar jamais!
Silvia Simões
Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]
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