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Silvia Simões

Omar Aziz e suas raízes amazônidas

Silvia Simões
Por Silvia Simões
08/10/2026 11h25 — em Silvia Simões

O que significa governar uma terra que nos cria raízes?

É olhar para Manaus sem esquecer o interior.

É lembrar do ribeirinho, do indígena, do trabalhador, do empreendedor e daquela gente que acorda cedo para fazer este Estado acontecer.

Porque o Amazonas não precisa apenas de quem conheça seu mapa.

Precisa de quem conheça seus caminhos, seus rios e sua gente.

Omar construiu sua vida pública aqui.

E agora, mais uma vez, coloca seu nome diante do povo amazonense.

No fim, a urna decide.

Mas uma coisa ninguém pode negar:

há raízes que não nascem no chão onde a gente nasceu.

Nascem no lugar onde a gente escolheu viver, lutar e construir sua história.

Omar Aziz. Suas raízes amazônidas.

Tem uma coisa que só quem nasceu ou aprendeu a viver na Amazônia entende:

aqui, distância não se mede em quilômetros.

Mede-se em horas de barco, combustível, cheia e vazante, estrada que termina e comunidade que fica esperando.

Por isso, governar o Amazonas não é tarefa que caiba inteira dentro de um gabinete com ar-condicionado.

É preciso conhecer o Amazonas do cheiro da chuva, da canoa amarrada no barranco, do barco que chega com mercadoria, da farinha saindo do forno e da mãe que atravessa o rio atrás de atendimento para o filho.

É preciso conhecer o Amazonas que começa muito antes de Manaus — e continua muito depois dela.

Existe o Amazonas que acorda com o motor da rabeta. Existe o que desperta com o apito do Distrito Industrial. Há o das aldeias, das comunidades ribeirinhas, das cidades do interior, dos portos, das feiras e dos bairros que cresceram depressa demais.

Tudo isso é Amazonas.

E é esse Estado inteiro que vai escolher seu próximo governador.

Omar Aziz chega ao segundo turno para disputar novamente o comando do Estado. Diante dele, há um desafio maior que qualquer campanha: transformar experiência política em respostas para um território que parece ter sido desenhado pela natureza para testar qualquer administrador.

Porque aqui não basta inaugurar uma obra.

É preciso saber como ela chega ao interior.

Não basta anunciar saúde: é preciso fazer o atendimento chegar onde o barco demora dois dias.

Não basta falar em educação: é preciso lembrar do aluno que depende do rio para chegar à escola.

Não basta falar em produção: é preciso garantir que o produtor consiga tirar sua mercadoria de onde estrada nenhuma chega.

E não basta falar em desenvolvimento.

É preciso responder como desenvolver a Amazônia sem destruir aquilo que faz dela a Amazônia.

Esse é o tamanho da conversa. O Amazonas não é apenas floresta.

É gente.

Gente que vive do rio, trabalha na cidade, produz no interior, empreende, estuda e, muitas vezes, resolve a própria vida com muito menos apoio público do que deveria.

Mas o segundo turno coloca uma pergunta maior que qualquer currículo:

o que fazer com essa experiência diante de um Amazonas que mudou?

Manaus mudou. O interior mudou. O eleitor mudou. E a própria Amazônia passou a ocupar um lugar ainda mais estratégico no mundo.

O Amazonas não pode ser apenas o lugar de onde se tira riqueza.

Precisa ser também o lugar onde o amazonense prospere com essa riqueza.

Que a biodiversidade vire ciência.

Que a floresta seja oportunidade sem deixar de ser preservada.

Que o interior seja prioridade.

E que Manaus continue sendo o coração econômico sem esquecer que o corpo inteiro precisa funcionar.

Porque o Amazonas não é uma cidade cercada de floresta.

É uma floresta cheia de cidades, comunidades, histórias e pessoas.

E quem quiser governá-lo precisa saber ouvir todas elas:

o homem do remo, a mulher da feira, o agricultor, o indígena, o ribeirinho, o empresário, o operário, o professor e o jovem que ainda procura uma razão para ficar.

Esse é o desafio.

Não é pequeno.

Nunca foi.

Governar o Amazonas é administrar um lugar onde o rio muitas vezes é estrada, o barco é ônibus, a chuva muda o calendário e a floresta está presente até quando parece distante.

Por isso, o Amazonas precisa de um governante que não conheça apenas seus números.

Precisa conhecer seus caminhos.

Não apenas seus municípios.

Mas seus moradores.

Porque o amazonense não está pedindo milagre.

Está pedindo um governo que não esqueça dele no caminho.

E aqui, meu amigo...

caminho é coisa séria.

Às vezes é estrada.

Às vezes é rio.

Às vezes é uma trilha no meio da mata.

Mas todo caminho leva à mesma pergunta:

quem vai conduzir o Amazonas pelos próximos quatro anos?

A resposta estará nas urnas.

Mas o verdadeiro julgamento será feito depois — no beiradão, na feira, no bairro, na aldeia, no interior e na cidade.

Porque o Amazonas pode até ser governado de um palácio.

Mas só será compreendido por quem souber ouvir o barulho do seu rio.

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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