Pois é, minha gente...
A urna falou. E quando a urna fala, não adianta reclamar com o vizinho, discutir com o cunhado, brigar no grupo da família ou culpar até o cachorro que apertou o botão errado.
O Brasil foi às urnas e deu um recado.
No primeiro turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro terminou na frente de Lula e os dois agora vão para a segunda rodada da disputa. A diferença foi apertada, mas o mapa eleitoral mostrou uma coisa que merece atenção: a direita e o pensamento conservador continuam ocupando um espaço enorme no eleitorado brasileiro. (Tribunal Superior Eleitoral)
E aí vem a pergunta:
Por que o Brasil está tão conservador?
Talvez porque muita gente esteja cansada de ouvir promessa bonita e continuar contando os boletos na mesa. Talvez porque segurança pública tenha virado assunto de sobrevivência, e não mais apenas discurso de campanha. Talvez porque valores tradicionais, família, religião e a sensação de que o mundo está mudando rápido demais estejam pesando na decisão de muita gente.
E talvez também porque uma parte do eleitorado esteja dizendo:
“Olha, eu quero mudança. Mas quero mudança do meu jeito.”
O curioso é que esse Brasil não é uma coisa só.
Tem o Brasil do Nordeste, onde Lula continua fortíssimo.
Tem o Brasil do Sul, onde a direita encontrou terreno fértil.
Tem o Brasil do agronegócio.
Tem o Brasil das grandes cidades.
Tem o Brasil evangélico.
Tem o Brasil católico.
Tem o Brasil jovem, que vive no celular.
E tem aquele Brasil que não quer saber de ideologia nenhuma: quer emprego, salário, segurança, saúde e supermercado com preço que não faça o cidadão precisar consultar o gerente do banco antes de comprar uma bandeja de carne.
É aí que mora a danada da questão.
O Brasil pode estar mais conservador, mas também está profundamente dividido.
E divisão política, minha gente, é igual tacacá muito quente:
se não tiver cuidado, queima a boca de todo mundo.
O resultado do primeiro turno mostrou que o conservadorismo tem força eleitoral. Mas também mostrou que existe um país inteiro disputando espaço, ideias e caminhos diferentes para o futuro. (Folha de S.Paulo)
Agora vem o segundo turno.
E aí começa novamente a velha romaria brasileira:
promessa daqui...
vídeo dali...
zap-zap fervendo...
grupo de família virando ringue...
cunhado descobrindo que é cientista político...
e aquele amigo que até ontem não sabia o nome do candidato, mas hoje já está dando aula sobre economia mundial!
É Brasil, meu povo!
No fim das contas, a urna deixou uma pergunta maior que qualquer candidato:
que Brasil nós queremos construir depois que acabar a eleição?
Porque ganhar uma eleição é uma coisa.
Governar um país dividido é outra história.
E essa história, meus amigos, ainda está apenas começando.
O Brasil falou.
Agora é hora de escutar.
E, principalmente, de lembrar que depois da urna...
a vida continua.
E o boleto também.
Silvia Simões
Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]
Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.
Aviso