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Silvia Simões

O Brasil é conservador

Silvia Simões
Por Silvia Simões
05/10/2026 12h15 — em Silvia Simões

Pois é, minha gente...

A urna falou. E quando a urna fala, não adianta reclamar com o vizinho, discutir com o cunhado, brigar no grupo da família ou culpar até o cachorro que apertou o botão errado.

O Brasil foi às urnas e deu um recado.

No primeiro turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro terminou na frente de Lula e os dois agora vão para a segunda rodada da disputa. A diferença foi apertada, mas o mapa eleitoral mostrou uma coisa que merece atenção: a direita e o pensamento conservador continuam ocupando um espaço enorme no eleitorado brasileiro. (Tribunal Superior Eleitoral)

E aí vem a pergunta:

Por que o Brasil está tão conservador?

Talvez porque muita gente esteja cansada de ouvir promessa bonita e continuar contando os boletos na mesa. Talvez porque segurança pública tenha virado assunto de sobrevivência, e não mais apenas discurso de campanha. Talvez porque valores tradicionais, família, religião e a sensação de que o mundo está mudando rápido demais estejam pesando na decisão de muita gente.

E talvez também porque uma parte do eleitorado esteja dizendo:

“Olha, eu quero mudança. Mas quero mudança do meu jeito.”

O curioso é que esse Brasil não é uma coisa só.

Tem o Brasil do Nordeste, onde Lula continua fortíssimo.

Tem o Brasil do Sul, onde a direita encontrou terreno fértil.

Tem o Brasil do agronegócio.

Tem o Brasil das grandes cidades.

Tem o Brasil evangélico.

Tem o Brasil católico.

Tem o Brasil jovem, que vive no celular.

E tem aquele Brasil que não quer saber de ideologia nenhuma: quer emprego, salário, segurança, saúde e supermercado com preço que não faça o cidadão precisar consultar o gerente do banco antes de comprar uma bandeja de carne.

É aí que mora a danada da questão.

O Brasil pode estar mais conservador, mas também está profundamente dividido.

E divisão política, minha gente, é igual tacacá muito quente:

se não tiver cuidado, queima a boca de todo mundo.

O resultado do primeiro turno mostrou que o conservadorismo tem força eleitoral. Mas também mostrou que existe um país inteiro disputando espaço, ideias e caminhos diferentes para o futuro. (Folha de S.Paulo)

Agora vem o segundo turno.

E aí começa novamente a velha romaria brasileira:

promessa daqui...

vídeo dali...

zap-zap fervendo...

grupo de família virando ringue...

cunhado descobrindo que é cientista político...

e aquele amigo que até ontem não sabia o nome do candidato, mas hoje já está dando aula sobre economia mundial!

É Brasil, meu povo!

No fim das contas, a urna deixou uma pergunta maior que qualquer candidato:

que Brasil nós queremos construir depois que acabar a eleição?

Porque ganhar uma eleição é uma coisa.

Governar um país dividido é outra história.

E essa história, meus amigos, ainda está apenas começando.

O Brasil falou.

Agora é hora de escutar.

E, principalmente, de lembrar que depois da urna...

a vida continua.

E o boleto também.

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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