Manaus/AM - O delegado Ricardo Cunha, da Delegacia de Homicídios e Sequestros (DHS), revelou em entrevista os detalhes da confissão de Ezenilson Silva de Souza, acusado de matar três pessoas em uma casa no bairro São Jorge, nessa segunda-feira (17).
Segundo Cunha, o acusado confessou que estava devendo cerca de R$ 19 mil a agiotas e estava jurado de morte se não fizesse o pagamento naquele dia. Diante disso, ele acreditava que o ex-sogro, o pastor Francisco das Chagas Moraes, guardava dinheiro em casa e resolveu ir até lá.
Câmeras de segurança filmaram o momento em que eles chegou no endereço ainda na madrugada e pulou o muro da residência.
“Ele entrou na residência por volta das 5h30 da manhã, armado com um martelo, e ficou lá por mais de duas horas e meia, sai ali por volta das 7 horas da manhã dessa residência e a gente consegue também observar ele carregando ali o objeto (um cofre) que pertenciam aquele local. Houve então uma discussão lá no local e ele de posse desse martelo que ele já tinha trazido na sua mão efetuou ali vários golpes na cabeça dessa pessoa”, relatou o delegado.
A partir daí a violência só escalonou. Isabella, filha de Francisco, ouviu os gritos do pai e ao ir ao seu encontro, foi atacada e morta por Ezenilson. Guilherme Pereira Lima Filho, o professor universitário que morava no andar abaixo, ouviu os gritos de Isabella e resolveu checar o que estava acontecendo e também foi morto.
Por fim, Dilma Cilene Lima Sampaio, de 44 anos, que era a dona do imóvel e morava no térreo, também percebeu a movimentação estranha e subiu, mas ela também foi atacada. A vítima foi a única sobrevivente da tragédia e está lutando pela vida no hospital.
" Depois dele golpear essas pessoas todas, matar três pessoas e deixar a dona Dilma gravemente ferida, ele vai atrás desse dinheiro. E ele encontra um pequeno cofre lá com cerca de R$ 900 que era do seu Francisco. E aí, finalmente, é quando ele coloca uma máscara de proteção e sai portando esse cofre com os celulares de todo mundo e vai ao encontro do agiota pagar a dívida. Conseguimos recuperar apenas um desses celulares, os outros ele disse que se desfez porque ele estava com medo de ser rastreado, jogou no igarapé. E a arma do crime ele também jogou ali.
Além das imagens das câmeras, a polícia também contou com o testemunho de pessoas que viram Ezenilson deixando o local e posteriormente conseguiu identificá-lo. O delegado Ricardo Cunha conta que ao ser confrontado, o homem confessou tudo e não demonstrou arrependimento algum.
“Ele mora nas proximidades do local do crime. Ele é da família, foi casado com a filha do seu Francisco, e por isso eles ainda tinham ali uma espécie de contato por conta do neto. Ele não esboçou qualquer arrependimento. Disse que agiu em legítima defesa, mas confessou em detalhes como matou cada vítima. Após o crime, seguiu a vida normalmente, chegou a conversar com familiares e até com a imprensa, sem demonstrar qualquer emoção. Ele é uma pessoa extremamente fria, muito fria.”.
O corpo das vítimas só foi descoberto porque uma pessoa que dava carona ao professor não conseguiu contato com ele e acionou um familiar que foi ao local e se deparou com a cena de horror e viu Dilma agonizando no chão.
"Nós encontramos este cofre, né, que ele estava o dinheiro. Foi apreendido aí no seu poder a motocicleta, o capacete utilizado no crime, esse cofre, o celular da vítima Guilherme, que era o professor universitário".
O delegado ressaltou a rapidez da ação policial: “Em menos de 12 horas conseguimos identificar e prender o autor. Foi uma resposta imediata à sociedade, mostrando que o crime não terá a última palavra no Amazonas”.




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