Por Ryan Woo e Chen Aizhu e Liz Lee
PEQUIM/CINGAPURA, 19 Mai (Reuters) - O líder chinês, Xi Jinping, receberá seu "velho amigo" Vladimir Putin menos de uma semana após a visita de Donald Trump, enquanto Pequim busca se projetar como uma potência estável e previsível em um mundo abalado por tensões comerciais, guerras e uma crise energética.
China e Rússia apresentaram a viagem de dois dias de Putin nesta semana -- sua 25ª visita à China -- como mais uma prova de sua parceria "para todos os climas", mesmo quando o Ocidente pede a Pequim que pressione Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.
Embora a China se apresente como mediadora da paz no conflito e como parte neutra, Putin diz que China e Rússia apoiam os "interesses fundamentais" uma da outra, à medida que ele busca acordos adicionais de energia com a segunda maior economia do mundo diante de sanções ocidentais.
"A cúpula entre Xi e Putin mostrará ao mundo que a parceria estratégica entre a China e a Rússia continua sendo a pedra angular das políticas externas de ambos os países e que qualquer tentativa dos EUA de criar uma barreira entre eles está fadada ao fracasso", disse Ian Storey, do Instituto ISEAS-Yusof Ishak em Cingapura.
A visita ocorre após a viagem de Trump na semana passada, que gerou uma visão positiva, mas poucos acordos comerciais importantes. Xi descreveu os laços sino-americanos como uma relação de "estabilidade estratégica", desafiando a estrutura de "competição estratégica" associada ao ex-presidente dos EUA Joe Biden.
Ao receber líderes estrangeiros, a China busca fortalecer sua imagem como um pilar da estabilidade global, em contraste com as dificuldades dos EUA em encerrar a guerra na Ucrânia e conter um conflito separado com o Irã, que interrompeu os fluxos globais de energia.
Durante as visitas de Estado, Pequim tenta tranquilizar os parceiros comerciais ocidentais, incluindo os EUA, sobre sua ascensão como potência econômica e tecnológica, ao mesmo tempo em que minimiza os riscos em seus laços.
A Casa Branca afirmou, após a visita de Trump à China, que foi alcançado um consenso sobre questões que aumentarão a "estabilidade" para empresas e consumidores globais.
Ao mesmo tempo, o envolvimento da China com países como a Rússia também reforça a mensagem de que sua diplomacia é consistente e não é influenciada pelas ações de parceiros estratégicos, apesar da pressão ocidental.
"Não é realista esperar que Xi pressione Putin para acabar com a guerra na Ucrânia. Xi não exerce esse tipo de influência sobre Putin e, de qualquer forma, os chineses entendem como uma derrota da Rússia na Ucrânia enfraqueceria a posição política de Putin", disse Storey.
"Dessa forma, Pequim continuará a fornecer a Moscou cobertura diplomática na ONU, assistência econômica e tecnologias de uso duplo para as Forças Armadas da Rússia", afirmou ele.




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