Desde que o mundo é mundo, vivemos um cotidiano dos contrastes. É o mundo do silêncio e do som, da luz e da escuridão, do bonito e do feio, da fartura e da escassez, do sim e do não. O mundo das alegrias e das tristezas. Em uma sociedade de fast things, onde o que importa é a praticidade e os resultados, as coisas têm que acontecer de qualquer maneira; sendo irrelevante o indivíduo; com suas carências, frustrações, derrotas, castelos desmantelados, angústias, tristezas, vitórias, sonhos, alegrias... A sociedade cobra resultados, o indivíduo tem que vencer, tem que parecer. O indivíduo tem que ter.
Com todo este redemoinho, ao longo da rodovida, muitas coisas vão ficando no acostamento, e assim, são deixadas para trás. Em nossos dias, vivenciamos uma triste e perigosa banalização dos sentimentos. As relações são efêmeras, voláteis. Todo mundo sorri, canta, pula, bebe, festeja. As pessoas parecem ser alegres. Fundamentam sua alegria em algumas poucas horas de divertimento, em posição social, em bens materiais, em conta bancária e futilidades. Alegria alicerçada em gesso, deste modo, sob a menor pressão, finda em completo desmoronamento e em uma profunda tristeza.
Alegria é definida no Aurélio como "qualidade ou estado de quem tem prazer de viver." Então, a questão a ser respondida é: em que está fundamentado o meu prazer de viver? Em que está fundamentada a minha alegria? No novo emprego que arranjei? No carro bonito que enfim pude adquirir? No apartamento mais amplo que tanto lutei para comprar? Na casa de praia ou de campo? Em ter conseguido enfim, fazer parte da "high Society"? Em uma conta bancária, fruto de anos de juntar, juntar e juntar? Em puder beber todas no final de semana com aqueles amigos de copo e de sempre? Fala-se que ao invés de Produto Interno Bruto (PIB), uma nação que se preze deveria estar preocupada com a Felicidade Interna Bruta (FIB). Este índice mede, "portanto, a quantidade diária de sorrisos..." que as pessoas conseguem cometer.
Vivenciamos pessoas que sobrevivem na futilidade. Indivíduos inconsistentes, sem profundidade. Quando aqueles momentos pseudo-felizes escorrerem entre os dedos do tempo, ouvir-se-á bater à porta do coração a angústia, a tristeza, o vazio, a alma combalida e até a depressão. E os sintomas aparecerão com o passar do tempo, uma indescritível sensação do não construído, do equívoco vivido. Deste modo, assistimos a uma sociedade doente, manca, apodrecida; marcada por perspectivas obscuras e valores inconsistentes.
O que desanima, é que estes equívocos são transmitidos como legado, de pais para filhos, e deste modo, a enfermidade da alma se perpetua por gerações e gerações. Sejamos pessoas alegres, mas radicalmente alegres. Alegria sustentada em Deus, na família, na amizade desinteressada, no amor, na paz de coração, na solidariedade. Sejamos alegres de alma e de espírito. Que estejamos sempre em dia com nossas finanças emocionais. Despojados do que temos, livramo-nos de sentimentos fúteis que em nada contribuem para nosso processo de crescimento como ser humano e como cidadão. Como disse a poeta "Se soubesse compor uma ode, seria à alegria, pois ela tem um dom maravilhoso que é o de multiplicar-se ao ser dividida".
Ancesco Scavollini, assim se pronunciou sobre o fato: "O direito a uma morte digna não pode significar o direito de dispor total e absolutamente da vida humana, até porque esse arbítrio contribuiria para difundir na sociedade uma cultura da morte".
Assim, a ação ou a omissão com que se entrega a morte um ser humano inocente, com o objetivo de eliminar o sofrimento será sempre, até certo ponto, inaceitável.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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