Poucos alimentos amazônicos viajaram tanto mundo afora quanto o açaí. Virou ingrediente de academia, aparece em rótulo de suplemento e é vendido como fruta milagrosa em diversos países. Mas, descascada a fama, o que a ciência efetivamente mediu sobre a fruta é mais modesto do que o marketing sugere, e inclui também um alerta sanitário que pouca gente conhece fora da região.
Estudos de universidades brasileiras encontraram resultados concretos. Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina observou melhora nas defesas antioxidantes de adultos saudáveis que consumiram 200 ml de polpa pura por dia durante um mês. Trabalho da Universidade Federal de Uberlândia associou as antocianinas do açaí à dilatação de vasos sanguíneos e à redução da pressão arterial, enquanto a versão sem adição de açúcar parece ajudar a baixar o colesterol considerado prejudicial. Nos Estados Unidos, a Universidade Tufts investiga o papel das antocianinas na redução do estresse oxidativo no cérebro.
Já as promessas de que o açaí acelera o emagrecimento, trava o envelhecimento ou concentra 33 vezes mais antioxidantes que o vinho tinto não têm estudo que as sustente da mesma forma. São afirmações repetidas em propaganda e redes sociais, sem a comprovação que os efeitos cardiovasculares e antioxidantes já têm.
Existe também um cuidado concreto, documentado pela ciência na própria região amazônica: em 2006, um surto de doença de Chagas em Barcarena, no Pará, foi associado ao consumo de suco e polpa de açaí contaminados por fezes do inseto barbeiro durante a colheita ou o processamento artesanal. Por isso, especialistas recomendam preferir açaí de origem conhecida, pasteurizado ou processado com higiene comprovada. Este conteúdo tem caráter informativo, não substitui orientação médica ou nutricional, e pessoas com restrições alimentares ou condições de saúde específicas devem consultar um profissional antes de aumentar o consumo da fruta.
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