O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) considera o ex-deputado federal Alexandre Ramagem um imigrante em situação irregular e afirma que ele pode ser detido ou deportado. A posição foi apresentada pelo órgão em resposta a questionamentos da Agência Pública, em parceria com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), e publicada nesta quarta-feira (21).
Segundo o governo norte-americano, Ramagem entrou legalmente no país em 11 de setembro de 2025, com autorização de permanência temporária por seis meses. No entanto, ele permaneceu nos Estados Unidos depois do vencimento do prazo permitido.
Em comunicado, um porta-voz do DHS afirmou que o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em 13 de abril deste ano, mas acabou liberado dois dias depois, enquanto aguarda o resultado do processo de deportação.
O departamento também esclareceu que um pedido de asilo político ainda pendente não garante situação migratória regular nem impede automaticamente uma eventual deportação.
Ex-diretor da Abin foi condenado pelo STF
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a condenação, em setembro de 2025, ele deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos.
Em abril deste ano, o ex-deputado foi detido pelo ICE, em Orlando, na Flórida, por permanecer no país além do período autorizado pelo visto. Ele foi liberado dois dias depois, sem pagamento de fiança, segundo informações divulgadas à época.
A soltura provocou divergências entre setores do governo norte-americano. Enquanto o Departamento de Estado criticou a atuação da Polícia Federal brasileira no caso, o Departamento de Segurança Interna sustenta que Ramagem violou as regras migratórias dos Estados Unidos.
Caso provocou tensão diplomática entre Brasil e EUA
A detenção de Ramagem também teve consequências diplomáticas. Em abril, o Departamento de Estado norte-americano suspendeu o credenciamento do policial federal brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação em Miami e havia participado da localização do ex-deputado.
Em resposta, o governo brasileiro suspendeu a autorização de um agente de imigração dos Estados Unidos que trabalhava em Brasília.
Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil havia apresentado formalmente um pedido de extradição de Ramagem em 30 de dezembro de 2025, meses antes da prisão realizada pelo ICE.
Apesar da libertação, o ex-deputado continua sujeito aos procedimentos migratórios norte-americanos. O desfecho dependerá da tramitação do caso pelas autoridades competentes nos Estados Unidos.
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