O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu novamente o tenente da Polícia Militar, Henrique Otávio Oliveira Velozo, acusado de matar o campeão mundial de jiu-jítsu, Leandro Lo. O novo decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado nessa terça-feira, 21.
Procurada pelo Estadão , a defesa do militar informou que irá recorrer da medida. "Uma decisão passível de recurso e que a defesa irá combater", afirmou o advogado Claudio Dalledone.
A medida suspende os efeitos de uma decisão de outubro de 2025, que tinha revertido temporariamente a primeira demissão do policial, publicada em setembro do mesmo ano.
Na ocasião, a defesa de Velozo recorreu à Justiça e obteve uma determinação favorável à reintegração do tenente à corporação. Com isso, ele voltou a receber o salário bruto mensal de R$ 14,6 mil.
Em novembro de 2025, Velozo reassumiu o cargo após ser absolvido pelo Tribunal do Júri. No mês seguinte, porém, foi afastado e submetido a um regime disciplinar específico. Com a medida, passou a receber um terço do salário, ficou proibido de usar uniforme e foi impedido de exercer atividades policiais até uma decisão definitiva da Justiça.
Em fevereiro deste ano, a Justiça de São Paulo manteve a demissão do policial militar, apesar de sua absolvição na esfera criminal.
O novo decreto, publicado nessa terça-feira, em cumprimento a um acórdão definitivo do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), restabelece a punição administrativa aplicada em setembro de 2025. Com isso, o policial deverá deixar novamente a PM e perderá o direito à remuneração.
Veja as idas e vindas no caso:
09/2025: Demitido deixou de receber salário de R$ 14,6 mil;
10/2025: reincorporado à PM e voltou a receber o pagamento;
11/2025: reassumiu o cargo após ser absolvido pelo júri popular
12/2025: foi afastado e passou a ficar em regime disciplinar específico, recebendo apenas um terço do salário, proibido de usar uniforme e afastado de qualquer atividade policial até a decisão final da Justiça
02/2026: Justiça de SP mantém demissão mesmo após absolvição na Justiça criminal
10/2026: novamente demitido em decreto do governador publicado no dia 20
Relembre o caso
Velozo foi acusado de matar Leandro Lo com um tiro na cabeça, em 7 de agosto de 2022. O crime aconteceu após um desentendimento entre os dois, durante um show no Clube Sírio. Na reconstituição do crime, testemunhas contaram que o policial militar foi imobilizado pelo lutador durante uma discussão, mas atirou contra o atleta assim que foi solto e depois fugiu.
O agente chegou a ser excluído do quadro da PM após decisão do Tribunal de Justiça Militar (TJM). Na Justiça comum, o Ministério Público o denunciou por homicídio triplamente qualificado, com qualificadores motivo torpe, emprego de meio insidioso ou cruel e traição ou emboscada. A denúncia foi aceita e Velozo se tornou réu.
Velozo foi absolvido pelo Tribunal do Júri de São Paulo, que acolheu a tese de legítima defesa apresentada por sua defesa. Em reação à decisão, Fátima Lo, mãe do lutador, compartilhou em seu perfil no Instagram uma publicação que afirma que o campeão "não teve sua justiça feita".
"Os jurados acolheram a tese de legítima defesa, e com isso o réu não responderá criminalmente pelo disparo que tirou a vida de um dos maiores campeões da história do esporte. Todos hoje carregam um silêncio pesado, difícil de explicar", diz o texto.
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