A sucessão estadual de 2026 oferece uma oportunidade para que o debate sobre o Amazonas avance e enfrente uma das questões mais complexas da região: o futuro das populações que vivem da mineração artesanal na calha do Rio Madeira e em outras áreas do interior.
Não se trata de relativizar a proteção ambiental nem de enfraquecer o combate ao garimpo ilegal. Trata-se de reconhecer que políticas públicas eficientes precisam partir da realidade, e não apenas dos seus efeitos.
É consenso que a mineração ilegal provoca graves danos ambientais, fortalece organizações criminosas e exige atuação firme das forças de fiscalização. Essa responsabilidade do Estado é inegociável.
É inegável que milhares de famílias passaram a depender dessa atividade pela histórica ausência de oportunidades, infraestrutura, crédito e presença permanente do poder público. Ignorar essa dimensão social significa enfrentar apenas parte do problema.
Seria oportuno que os candidatos ao Governo do Amazonas apresentassem propostas específicas para as regiões mineradoras. Entre os temas que merecem espaço nos programas de governo estão a assistência técnica, mecanismos de regularização quando juridicamente possíveis, fortalecimento da fiscalização ambiental, incentivo a atividades sustentáveis, investimentos em educação profissional, infraestrutura, crédito e políticas capazes de gerar alternativas de renda.
A Amazônia continuará exigindo repressão qualificada contra os ilícitos ambientais, mas dificilmente encontrará soluções duradouras apenas por meio de operações policiais.
Governar pressupõe combinar autoridade com desenvolvimento, proteção ambiental com inclusão social e preservação da floresta com oportunidades econômicas.
O desafio é identificar quem busca atuar na legalidade das estruturas criminosas que exploram pessoas e degradam a floresta.
A legalidade se fortalece quando deixa de ser apenas uma exigência e passa a representar um caminho viável para quem vive no interior.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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