Manaus/AM - Em 2021, a fotojornalista amazonense Nathalie Brasil registrou duas cadeiras de ‘macarrão’ e um cachorro vira-lata caramelo às margens do Rio Negro, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, em Manaus. Mais de quatro anos depois, o cantor porto-riquenho Bad Bunny lançou o álbum vencedor do Grammy 2026, cuja capa apresenta uma cena visualmente muito semelhante à registrada por Nathalie.

Segundo a fotógrafa, apesar da semelhança estética, os registros representam contextos distintos. “Quando eu vi esse registro, não pensei em brasilidade. O que eu vi naquele dia foram as cadeiras vazias de frente para o rio. Poderia ter gente, mas não tinha. Era esse vazio, que se repetia em vários lugares por conta da pandemia”, explicou Nathalie, que documentava personagens ligados ao turismo, setor fortemente afetado pela crise sanitária.
A fotógrafa ainda relatou surpresa ao perceber a conexão entre sua imagem e a capa do álbum de Bad Bunny. “Quando vi a capa, pensei: ‘tenho uma foto assim’. Demorei para achar nos meus HDs, lembrei que já tinha postado e resolvi repostar nos meus stories do Instagram”. Ela reforçou o poder da fotografia em ser ressignificada ao longo do tempo: “A gente tira uma foto e ela toca as pessoas de acordo com o que elas estão sentindo naquele momento. Mas com o tempo, o olhar pode mudar também”.

Nathalie Brasil atua profissionalmente desde 2011, com experiência em fotojornalismo, eventos sociais, moda e cobertura de manifestações culturais. Seu trabalho percorre desde a capital amazonense até comunidades ribeirinhas e indígenas, sempre valorizando o cotidiano e as identidades regionais.

