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Israel acusa Líbano de não fazer o suficiente para desarmar o Hezbollah

Reuters
Israel acusa Líbano de não fazer o suficiente para desarmar o Hezbollah
Israel acusa Líbano de não fazer o suficiente para desarmar o Hezbollah

Por Tamar Uriel-Berri e Maya Gebeily

JERUSALÉM/BEIRUTE, 8 Jan (Reuters) - Israel afirmou que os esforços do Líbano para desarmar o Hezbollah estão longe de ser suficientes, depois que o exército libanês declarou ter estabelecido controle operacional no sul do país.

Com isso, o país elevou a pressão sobre os líderes libaneses, que temem que Israel possa intensificar seus ataques.

Em sintonia com as exigências dos EUA, o governo libanês tem procurado restringir a posse de armas ao controle estatal desde que o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, saiu bastante enfraquecido da guerra com Israel, em 2024.

O exército libanês afirmou nesta quinta-feira que os objetivos da primeira fase de seu plano foram alcançados de forma "eficaz e tangível" e que garantiu a segurança das áreas sob sua autoridade ao sul do rio Litani, com exceção das posições ainda ocupadas pelas forças israelenses.

Após a declaração do exército, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Hezbollah deve ser totalmente desarmado, citando um cessar-fogo mediado pelos EUA com o Líbano em novembro de 2024.

Embora os esforços do governo e do exército do Líbano nesse sentido tenham sido "um começo encorajador... eles estão longe de ser suficientes, como evidenciado pelos esforços do Hezbollah para se rearmar e reconstruir sua infraestrutura terrorista com o apoio iraniano".

O desarmamento do Hezbollah era "imperativo para a segurança de Israel e o futuro do Líbano", acrescentou Netanyahu.

ATAQUES NO SUL

Israel tem realizado ataques quase diários no sul do país e, por vezes, de forma mais abrangente no Líbano, acusando o Hezbollah de tentar restabelecer sua infraestrutura. Israel também acusa Beirute de não cumprir o acordo de cessar-fogo de 2024.

Não houve comentários imediatos do Hezbollah, que afirma ter respeitado o cessar-fogo no sul e que o acordo não se aplica ao restante do Líbano.

O exército libanês havia estabelecido um prazo até o final do ano para remover armamentos não estatais do sul do país, antes de prosseguir para outras regiões. Em comunicado, o exército afirmou que ainda há trabalho a ser feito para remover munições não detonadas e túneis.

LÍBANO QUER CONTROLAR DECISÕES

O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que o destacamento do exército no sul do país visa reafirmar o princípio de que as "decisões de guerra e paz" pertencem exclusivamente ao Estado e "impedir que o território libanês seja usado como ponto de partida para quaisquer atos hostis".

Mas acrescentou que a estabilidade duradoura continua dependendo da resolução de questões-chave, principalmente "a contínua ocupação israelense de partes do território libanês e o estabelecimento de zonas tampão dentro dele".

O Hezbollah travou inúmeros conflitos com Israel desde sua fundação pela Guarda Revolucionária do Irã, em 1982. O grupo manteve seu armamento após o fim da guerra civil libanesa de 1975-1990, utilizando-o contra as tropas israelenses que ocuparam o sul do país até 2000.

As forças armadas libanesas, que recebem apoio dos EUA, têm se mantido fora dos conflitos entre o Hezbollah e Israel.

(Reportagem de Maya Gebeily em Beirute e Tamar Uriel-Beeri em Jerusalém; reportagem adicional de Jana Choukeir em Dubai e Tala Ramadan em Beirute; texto de Ahmed Elimam e Tom Perry)

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