TÓQUIO/PEQUIM (Reuters) -A China informou ao Japão que proibirá todas as importações de frutos do mar japoneses, informou a imprensa nesta quarta-feira, no que parece ser o mais recente episódio de uma disputa diplomática crescente entre as duas maiores economias da Ásia.
As tensões entre os dois países aumentaram depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou este mês que um ataque chinês a Taiwan que ameaçasse a sobrevivência do Japão poderia desencadear uma resposta militar.
A China exigiu retração e pediu a seus cidadãos que não viajassem para o Japão, resultando em cancelamentos em massa que poderiam causar um golpe considerável na quarta maior economia do mundo.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que "nas circunstâncias atuais, mesmo que os frutos do mar japoneses fossem exportados para a China, eles não encontrariam mercado."
Ela reiterou que, se Takaichi não se retratasse de suas declarações, a China teria que tomar contramedidas "severas e resolutas".
O secretário-chefe do Gabinete do Japão, Minoru Kihara, disse aos repórteres que Tóquio não havia recebido nenhuma notificação do governo chinês sobre a proibição de frutos do mar.
Pequim, há apenas alguns meses, aliviou parcialmente as restrições aos frutos do mar japoneses que haviam sido impostas devido à decisão de Tóquio, há dois anos, de liberar águas residuais tratadas de sua usina de Fukushima, local de um colapso nuclear em 2011 que se seguiu a um grande terremoto e tsunami.
A China disse ao Japão que a reimposição da proibição se deveu à necessidade de monitoramento adicional da liberação de água, informaram a emissora pública NHK e a agência de notícias Kyodo, citando fontes.
(Reportagem de Chang-Ran Kim, Kaori Kaneko, Tim Kelly e Katya Golubkova em Tóquio e Eduardo Baptista em Pequim)
((Tradução Redação Barcelona)) REUTERS MS



