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Colheita de soja do Brasil tem ritmo mais lento em 5 anos, diz AgRural

Por Reuters

23/02/2026 11h28 — em
Geral



SÃO PAULO, 23 Fev (Reuters) - A colheita da soja 2025/26 do Brasil atingiu 30% da área cultivada até a última quinta-feira, com avanço de nove pontos percentuais frente à semana anterior, mas se encontra no índice mais baixo para a época desde a temporada 2020/21, de acordo com levantamento da consultoria AgRural publicado nesta segunda-feira.

Apesar do desenvolvimento da colheita ao longo da última semana, após chuvas atrasarem os trabalhos no período anterior, o indicador também está nove pontos atrasado na comparação com o mesmo período do ano passado, trazendo algumas preocupações para a janela climática ideal em certas regiões para o plantio de milho, feito na sequência.

"Temos um atraso em Mato Grosso, devido ao plantio mais tardio no sul e leste do Estado e devido às chuvas muito frequentes agora em fevereiro. Em Mato Grosso do Sul e Paraná, o atraso é devido ao alongamento do ciclo em parte das lavouras, devido a temperaturas mais amenas e dias nublados no desenvolvimento das lavouras", explicou o analista Adriano Gomes, da AgRural.

Uma colheita mais lenta pelo efeito das chuvas, mas também pelo alongamento do ciclo ou plantio tardio, pode gerar gargalos logísticos, com reflexos no escoamento da produção para os portos.

De acordo com Gomes, problemas de filas quilométricas de caminhões em direção ao porto paraense de Miritituba, vistas na semana passada, têm mais relação com chuvas excessivas na região, que atrapalham o tráfego de veículos.

"É um conjunto de fatores. As chuvas concentram o escoamento e também deixam o carregamento no porto mais lento, e isso forma as filas", afirmou.

Além disso, a soja que sai da lavoura com umidade elevada necessita de mais tempo para padronização para descarregamento nos armazéns, o que gerou filas de caminhões nas instalações, colaborando para agravar o fluxo logístico.

"Porém, na semana passada, o tempo um pouco melhor já deu um pouco mais de fluidez para a colheita e carregamentos", completou o analista.

SEGUNDA SAFRA

Com o desenvolvimento da colheita de soja, o plantio do milho segunda safra no centro-sul avançou para 50% da área estimada, ante 31% na semana precedente e 64% um ano atrás, segundo dados da AgRural.

"Grande parte do impulso veio de Mato Grosso, onde as chuvas mais espaçadas permitiram a retomada dos trabalhos em ritmo mais forte", disse a consultoria.

Conforme dados da AgRural, o ritmo de plantio está próximo do índice estimado na média histórica de cinco anos, de 51%.

Para a consultoria, há atrasos no Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, mas a maior preocupação é com este último Estado, que teve um plantio de soja atrasado.

Produtores buscam plantar o milho segunda safra o mais rápido possível, pensando na janela climática ideal, tendo em vista que as chuvas tendem a ficar mais escassas à medida que o inverno se aproxima.

"É normal que uma parte do plantio avance até março em algumas regiões. A preocupação com Goiás é que, como o atraso da soja é grande, isso vai jogar o plantio do milho para março além do normal, ou seja, será uma safra de maior risco para o Estado", comentou.

Já a colheita do milho primeira safra 2025/26 estava 28% concluída no centro-sul até quinta-feira, contra 22% na semana anterior e 37% um ano atrás. Agora, além dos três Estados do Sul, São Paulo e Minas Gerais também já estão colhendo, disse a AgRural.

(Por Roberto Samora e Letícia FucuchimaEdição de Paula Arend Laier)


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