O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tortura e tratamentos degradantes no reality show Big Brother Brasil 26, exibido pela Globo. A decisão foi assinada pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, e divulgada nesta quinta-feira (6). O procedimento investiga principalmente as condições impostas aos participantes durante a chamada “prova do Quarto Branco”.
Segundo o MPF, a investigação teve início após relatos de episódios convulsivos envolvendo o participante Henri Castelli. “As condições impostas pela produção expõem a saúde dos envolvidos a riscos desnecessários, citando exemplos de edições anteriores e casos recentes, como o do participante Breno, que ficou ‘exilado’ em área externa da casa”, destacou a nota oficial da instituição.
A dinâmica do Quarto Branco também está sob análise. Participantes, como Rafaella, chegaram a desmaiar após permanecer mais de 100 horas em reclusão, em um desafio que obrigava os concorrentes a ficarem em pé em um pedestal pequeno para garantir a entrada na casa. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) classificou o método como “similar às práticas de tortura empregadas durante a ditadura civil-militar brasileira”.
Em resposta, a Globo afirmou que oferece acompanhamento médico permanente, suporte de UTI móvel e protocolos de encaminhamento hospitalar. Sobre Henri Castelli, a emissora disse que ele recebeu atendimento adequado e foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões. O MPF reforçou que “a vedação à tortura e ao tratamento degradante é um preceito constitucional absoluto”, destacando que o entretenimento não pode se sobrepor à dignidade humana.

