Grazi Massafera, que confirmou neste domingo (29) o fim do namoro com Caio Castro, falou sobre outros temas em entrevista à revista Ela, do O Globo, como assédio, e revelou que mergulhou nos estudos sobre temáticas importantes como feminismo, racismo, além de estar se aprofundando também no Cinema.
A atriz de 39 anos contou que antes, se via em uma situação de naturalizar o assédio que sofria. Agora, está mais consciente.
"Por mais que seja branca, dentro de todo o padrão mais favorecido, também tenho as minhas questões que toda mulher precisa lidar na carreira e na vida", começou ela. “Embora tenha encontrado formas de lidar com ele [o assédio] intuitivamente. Houve um momento profissional em que estava numa novela, e tinha um produtor casado na equipe que dava em cima de mim. Deixei claro que 'não'. A partir daí, ele começou a me menosprezar, boicotar e destratar. ”, disse Grazi. "Eu não tinha mais retorno dele, e tudo foi se tornando muito difícil. Ainda estava amadurecendo como atriz, precisando de um auxílio, mas tive a infelicidade de lidar com esse tipo de gente. Por outro lado, houve momentos em que consegui responder de um jeito descontraído.", conta.
"Uma vez, estava indo trabalhar numa van, e toda a equipe havia dormido, menos eu e outro produtor. Ele virou para mim e disse: 'Seus olhos brilham até no escuro'. Respondi com algo que minha mãe dizia: 'É verme'. Eu naturalizava essas coisas. Hoje, não mais ", pontuou.
A atriz explica como se deu a vontade de se informar sobre temáticas importantes: “[...] Fui criada na época em que os contos de fadas tinham aquelas princesas idealizadas e houve um momento em que acreditei nessa narrativa. [...] Existe essa história na minha vida, da menina pobre que veio do interior. É muito legal, estimula muita gente, mas não se sustenta. Cansei dessa história de ser Cinderela, sabe? Sou mais do que isso.” .
Grazi, que sempre se manteve isenta, postou em julho uma foto numa manifestação contra o governo Bolsonaro: “Não dá mais para ignorar que estamos em perigo”, escreveu na legenda. Ela disse à revista sobre o que a levou a falar pela primeira vez sobre o assunto: “Não apoio um governo que não valorize questões de humanidade ou retroceda justamente nos aspectos que estou estudando.”.
Sobre a decisão de estudar sobre racismo, a atriz explica: “A Taís (Araujo) me ligou e botou uma pulga atrás da minha orelha. Assisti duas vezes à peça “O topo da montanha” (espetáculo sobre Martin Luther King estrelado por Taís e o marido, Lázaro Ramos), e ela me perguntou: “Não quer saber mais sobre a sua história?”. Pela nossa história, entendemos a estruturação do racismo, os benefícios que nós, brancos, temos e a omissão sobre a escravidão. Estou estudando sobre eugenia também. Isso me causa náuseas e arrepios pelo corpo, de tamanha crueldade.”.
Rotina de estudos - “Tenho aulas sobre a estrutura do racismo e do feminismo no nosso país, duas vezes por semana, com a Fernanda Felisberto, e sobre cinema, uma vez por semana, com o Rodrigo Fonseca. Tenho pensado muito sobre a expressão “mimimi”, algo que a minha filha Sofia me perguntou o significado outro dia. Primeiramente, li aquela frase de que “mimimi” é a dor do outro que você não sente. Mas estou também ressignificando isso. Acho que é a sua dor para a qual você não quer olhar”, disse.
Grazi também falou sobre a personagem Larissa, que lhe rendeu uma indicação ao Emmy e voltou ao ar na reprise de “Verdades Secretas”. “[...] Eu a construí com a maior humanidade possível. Fui até a cracolândia (a personagem é uma modelo usuária de drogas e que se prostitui), conversei com várias pessoas e fiz diversos estudos no corpo para entender como age cada droga que ela podia usar.”.


