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Vitória histórica do basquete brasileiro sobre EUA completa 30 anos

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Foi de cinema a vitória da seleção brasileira sobre os Estados Unidos no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis. Trinta anos depois dos 46 pontos de Oscar Schmidt e dos 31 de Marcel, a mais emblemática vitória do basquete brasileiro moderno vai de fato virar uma obra de cinema. Aquele 120 a 115, que completa três década hoje, deu origem ao documentário “Revolução dos 3”, previsto para ser finalizado em outubro.

O diretor do longa metragem é o publicitário David Feldon, que jogou profissionalmente e conviveu com parte da geração dourada. Aos poucos, a partida que viu criança virou uma obsessão. Ao se debruçar sobre um único jogo, notou que faltava registro daquele que considera a partida símbolo da maneira brasileira de jogar basquete.

— Vejo um garoto que idolatra o Stephen Curry (Golden State Warriors), mas não tem a mínima noção do que aconteceu em Indianápolis. A ideia é resgatar a história e traçar paralelos. Aquela seleção não só ganhou, mas teve um estilo peculiar. Talvez não exatamente o estilo do Curry, mas era um jeito que o resto do mundo não jogava: mais ofensivo — defende Feldon, que tinha 7 anos na conquista.

O documentário apresenta 16 personagens, entre eles, a ex-jogadora Magic Paula, o jornalista Pedro Bial e o humorista Rafinha Bastos.

— O que eu quis buscar era o entendimento do estilo brasileiro de jogar basquete. Estamos completando um ano da Olimpíada do Rio e a nossa performance decepcionou. Como jogamos? Foi no nosso estilo? Talvez não — analisa o documentarista, que, no entanto, lembra que os arremessos de três não são unanimidade. — Quando é aplicado e não dá resultado, muita gente critica. O que a gente traz são dados para comprovar que esse é o jeito brasileiro de jogar e que o ápice foi em 1987 e 1988.

Trinta anos depois, o reinício

Depois daquela conquista, o Brasil ficou quatro 12 anos sem conquistar o Pan, mas emendou quatro ouros, em 1999, 2003, 2007 e 2015. No geral, a seleção perdeu prestígio e chegou ao ponto mais dramático quando, no ano passado, ficou suspensa da disputa de torneios internacionais. Treinador contratado para assumir a seleção na volta às disputas, o interino César Guidetti confessa não ser o maior incentivador de um jogo focado nas cestas de três. Ele comandará o jovem time que enfrenta a Colômbia, na sexta-feira, em Medellín, na estreia da Copa América. Ele ressalta que o Brasil já recebeu elogios e críticas pelo estilo vitorioso em 1987.

— O basquete brasileiro foi um dos pioneiros neste estilo, mas a gente era muito criticado por perder vários jogos dessa maneira — afirma Guidetti. — Havia Oscar e Marcel, mas os outros não tinham um aproveitamento tão alto. Hoje, você tem muitos jogadores que chutam de longe; os pivôs que jogavam só dentro do garrafão também arremessam de três. O que está em queda é aquele pivô gigante, tipo um Shaquille O’Neal.

Em Indianápolis, os Estados Unidos atuaram com um elenco de universitários, entre eles, muitos que tiveram vida longa na NBA, como o pivô David Robinson e os alas Dan Majerle e Danny Manning e Red Chapman. Apesar do talento, os jovens não tinham a experiência em chutes de longa distância. Implementado no basquete de seleções em 1984, a regra de três pontos foi inserida nas universidades americanas a partir de 1980, mas só em 1987 é que toda competição havia assimilado a regra.

— Hoje, a maioria das equipes usa muito volume de arremessos longos, algumas mais até do que arremessos de dois. É uma questão de filosofia, estatística, e do elenco que se tem à disposição — explica Guidetti.

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