A seleção brasileira masculina de vôlei embarca nesta quinta-feira para Curitiba, onde tentará o primeiro título pós-era Bernardinho. De 4 a 8 de julho, a equipe vai disputar a fase final da Liga Mundial, na Arena da Baixada, estádio do Atlético-PR. O desempenho do time que terminou a primeira fase em segundo lugar tem agradado ao técnico Renan Dal Zotto.
— Os treinamentos nos deixam com uma expectativa bem bacana. O time está rendendo, com a garotada representando muito bem a seleção. O que falta agora é a referência de espaço e domínio em quadra, já que se trata de uma arena de futebol adaptada. Esses últimos dias serão importantes para isso — disse o treinador, ontem, no CT de Saquarema.
Estreando à frente da seleção, Renan busca o décimo título depois de oito ligas conquistadas por Bernardinho. O levantador e capitão Bruno, filho do ex-técnico, admite que os estilos são bem diferentes, mas vê semelhanças no trabalho dos treinadores.
— Muitas pessoas valorizam o comprometimento e a dedicação do meu pai. E isso o Renan também vem colocando no nosso dia a a dia, desde que assumiu. Essa é a cara do vôlei brasileiro. Precisamos manter isso e conquistar os resultados. Na beira da quadra, o Renan é mais tranquilo e contido, diferente do jeitão explosivo bem marcante do Bernardinho.
Entre os convocados, três jogadores têm nessa Liga Mundial a primeira oportunidade na seleção principal: o ponteiro Rodriguinho, o central Otávio e o líbero Thales. O último tem uma missão difícil: substituir Serginho, que deixou o time após a conquista do ouro na Olimpíada do Rio. Para Renan, as etapas disputadas na Itália, Bulgária e Argentina nos últimos meses trouxeram postura e liderança ao jogador.
— O Thales fez uma ótima Superliga (no Canoas) e chegou muito bem. É difícil substituir um fenômeno como o Serginho, mas essa não é a ideia. Queremos que ele dê o melhor dele em quadra, o que já será muito bom. Ele tem muitas qualidades e surpreendeu a gente positivamente.
Em relação aos adversários da fase final — Rússia, Canadá, Estados Unidos, Sérvia e França —, Renan diz que é muito difícil apontar um favorito. Ele lembra que as últimas competições mundiais tiveram campeões diferentes. O treinador cita a Sérvia como atual campeã da Liga Mundial, a Polônia com o título mundial, a França campeã europeia e o Brasil como campeão olímpico, o que demonstra o total equilíbrio entre as equipes.
O grupo, que treina no CT de Saquarema desde maio, recebeu o reforço do oposto Renan Buiatti, que substitui Evandro. O jogador do Cruzeiro teve constatada uma trombose no antebraço direito e não poderá defender o Brasil na fase final da competição. Renan lamentou a lesão, mas mostrou confiança no substituto de 27 anos.
— O Evandro chegou muito bem no campeonato, é um dos melhores opostos do mundo, e com certeza fará muita falta. Mas o Renan também participou das primeiras etapas e teve a oportunidade de jogar, muito bem inclusive. Ele está totalmente ambientado — garantiu o treinador.
De acordo com o fisioterapeuta da seleção brasileira, Matheus Cardoso, Evandro obstruiu parte da artéria ulnar e foi orientado a manter as atividades físicas, só que sem nenhum impacto na região onde está com a obstrução, tendo, assim, que ficar sem contato nenhum com bola durante, pelo menos, 30 dias.
Esse não foi o único desfalque para a fase final disputada em Curitiba. Na última semana, Renan já havia perdido Lipe. Diagnosticado com um estiramento na panturrilha esquerda, o ponteiro titular nos Jogos do Rio lamentou o corte, ainda mais porque os jogos serão em sua cidade natal.

