A bola levantada pelo jornal inglês “Daily Mail", de que os 23 jogadores russos convocados para a Copa do Mundo de 2014 estão sob investigação e podem ter competido dopados, é rebatida pelo presidente da Comissão de Controle de Doping da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Fernando Solera. O médico, nomeado pela Fifa como maior autoridade de teste antidoping no país, não enxerga a possibilidade de alguém ter sido flagrado e acobertado naquela competição.
— Falar, até papagaio fala. Sou médico da Fifa e fui um dos organizadores do controle de doping da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, no Brasil. Não tive a informação de nenhum resultado atípico ou positivo. É muito difícil ter acontecido sem o meu conhecimento, pois falo com a Fifa quase diariamente — afirma Solera.
O controle de doping no Mundial de 2014 não se limitou aos jogos. Dias antes de a competição começar, equipes médicas ligadas à Fifa fizeram uma visita-surpresa a cada uma das 32 seleções
— Não fiz o teste dos russos, mas participei de alguns, e o procedimento era o mesmo: chegávamos por volta das 6h30m, em grande número, às vezes dez pessoas, para que ninguém escapasse. Era uma coisa ostensiva mesmo. A gente se espalhava, cada um em um quarto... “Só pode sair quem não for jogador!” Assim, todos os atletas foram submetidos a exames de sangue e urina antes de a Copa começar — lembra o médico.
Na seleção brasileira, Serafim Borges era o médico responsável por acompanhar os testes. Ele conta que, às vésperas da estreia contra a Croácia, em São Paulo, a delegação recebeu, em seu hotel, a visita da equipe da Fifa.
— Parece fantasiosa a tese de que 23 russos estivessem dopados e o exame não tenha detectado. Nos jogos, quatro eram sorteados de cada time: destes, dois de cada seleção faziam novos exames — afirma Serafim Borges.
O médico relata que, após a chegada da equipe médica, todos os 23 jogadores eram acompanhados por representantes da Fifa e pelos médicos da seleção durante a coleta da urina. E, em seguida, o mesmo procedimento acontecia durante o exame de sangue. Ele considera impossível, por exemplo, uma troca da amostra por outra “limpa”.
— Só se os russos inventaram um método que ninguém jamais descobriu. Parece impossível — comentou o médico brasileiro.

