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Será que vai?

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Esporte que valeu medalha olímpica de 1992 a 2008, o beisebol comemorou a volta aos Jogos. Ela acontecerá em Tóquio-2020, país apaixonado pelo jogo que tem sua principal liga nos Estados Unidos e alguns de seus maiores astros em países do Caribe e da América Central. E o Brasil nessa história? Acredite se quiser, o país tem hoje uma série de profissionais com experiências entre os melhores do mundo. Mas, é verdade, uma medalha olímpica é um sonho tão distante... que nem chega a ser um sonho.

Para se ter ideia do crescimento justamente no tempo em que a modalidade saiu das Olimpíadas, basta observar que este é o esporte com mais atletas brasileiros com contrato em uma liga profissional americana. São 15 na Major League Baseball (MLB), embora só cinco tenham atuado na elite. Em 2016, nove jogadores de basquete estiveram simultaneamente na NBA — atualmente são quatro. No futebol americano, a NFL tem um brasileiro. Nem mesmo no futebol, a MLS tem tantos jogadores do país. São apenas 10 na temporada que foi iniciada ontem.

Quatro dos 15 compatriotas na MLB estão nos elencos de times que disputam a divisão de elite a partir do fim do mês. São eles: Paulo Orlando, campeão pelos Kansas City Royals em 2015, Yan Gomes, dos Cleveland Indians, Luiz Gohara, dos Atlanta Braves, e Thyago Viera, dos Chicago White Sox. Atualmente sem contrato na liga, André Rienzo tem experiência pelos Chicago White Sox e Miami Marlins. Os outros 11 jogadores do país estão nas “minors leagues”, ligas compostas por times afiliados às franquias da MLB e que servem como local de desenvolvimento de atletas contratados por grandes times.

— Vem melhorando muito. Eu vejo muitos jogadores sendo contratados, e isso desperta o olhar para outros jovens que queiram seguir para esse esporte e um dia seguir para a seleção brasileira — analisa Paulo Orlando, que faz uma ressalva: — Vejo um futuro muito bom para o Brasil se coincidir de os jogadores levarem a vida profissional e ajudarem a seleção. Essa é a grande dificuldade no momento.

Problemas de liberação

O camisa 16 dos Royals coloca os pés no chão. Quem está nos EUA não é liberado para disputar a maioria dos campeonatos, embora a expectativa é de que a liga americana abrace Tóquio-2020 como plataforma para promover o esporte no mundo, o que facilitaria a liberação das estrelas. Há também atletas no Japão, Venezuela e República Dominicana, mas a falta de uma liga nacional faz com que o elenco se torne frágil para enfrentar times mais tradicionais.

Sem Paulo Orlando ou Yan Gomes, principais nomes do país, a seleção perdeu para Israel (0 a 1) e Reino Unido (3 a 4) nas classificatórias para o World Baseball Classic de 2017 e não conseguiu voltar à competição — a mais importante do beisebol internacional — que disputou em 2013. Sem eles, a seleção voltará a campo de 14 a 21 de abril, no Sul-Americano, em Buenos Aires. Venezuela e Colômbia são os principais rivais na competição.

Em 2020, serão seis países no torneio olímpico, mas só em agosto vai ser decidido o formato das eliminatórias.

— A tendência é que sejam duas seleções das Américas, duas da Ásia, uma delas do Japão, uma da Europa e outra vaga entre a África e a Oceania. Estamos brigando para ampliar o número para oito. Dessa forma, seriam três das Américas, e vamos pleitear que uma delas seja da América do Sul — disse Jorge Otsuka, presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol.

Em uma disputa americana, a concorrência é pesada. Cuba ganhou três das cinco medalhas de ouro. Nas outras duas, ficou com a prata. Os EUA só não levaram a medalha em uma ocasião, em que terminou em 4º. A República Dominicana é uma força no esporte, com 93 jogadores na elite da MLB. Mais tradicional na América do Sul, Venezuela tem 77. Porto Rico, México, Canada, Curaçao, Nicarágua e Panamá têm mais representantes do que o Brasil.

Promessas saem de Ibiúna (SP)

Com três mil atletas filiados, a maioria de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, o Brasil tem no centro de treinamento da confederação em Ibiúna (SP) seu principal celeiro de atletas. Uma parceria com a MLB promove a presença constante de treinadores e olheiros estrangeiros. Por lá, passaram atletas como o arremessador Igor Kimura, de 18 anos, que busca um lugar na liga americana sem esquecer do sonho olímpico.

— No beisebol, tudo é possível. Como o futebol, esse é um dos esportes em que times que não estão no mesmo nível podem se enfrentar de igual para igual. Fora que o Brasil tem uma seleção bem forte, já fomos a mundiais e jogamos bem, surpreendendo por onde passamos — analisou. — E se em 2020 não der, com certeza a seleção estará mais forte em 2024 e 2028.

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